O índice de renovação de mandatos na Câmara Federal poderá ser um dos mais baixos da história da instituição segundo previsão do Instituto de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc). De acordo com o estudo, a composição da Câmara na próxima legislatura terá entre 190 e 220 novos deputados, o que significa que a renovação do colegiado de 513 parlamentares não será superior a 40%.
O responsável pela pesquisa, jornalista Marcondes Sampaio, observa que os índices históricos de renovação situam-se acima de 50%. Ele explica que o contingente de ‘‘novos’’ deputados incluirá cerca de 40 ex-deputados federais que têm chances reais de conquistar uma cadeira na Casa. A pesquisa do Inesc revela ainda que 441 dos atuais deputados tentam renovar seus mandatos, 41 a mais que na última eleição.
O levantamento do Inesc, uma ONG associada à atuação dos partidos de esquerda no Congresso, informa na revista ‘‘Parlamento’’, lançada ontem, que constam da relação de pretendentes oito senadores, cujo mandato terminará no final deste ano, 12 ex-governadores, 45 deputados estaduais e dezenas de ex-secretários de Estado, dirigentes de empresas estatais, ex-prefeitos, ex-vice-prefeitos e vice-prefeitos.
De acordo com a análise preliminar do Inesc, a atual base de sustentação do governo do presidente FHC sofrerá perdas que afetarão principalmente o PSDB. A atual bancada de 94 deputados do partido do presidente tende a cair para cerca de 80 deputados, um número frustrante para uma legenda que, nos tempos do ministro Sérgio Motta fazia planos de eleger em torno de 140 deputados e se tornar a maior bancada da Câmara.
Mas as perdas prováveis do PSDB não significam que haverá desequilíbrio no quadro de representação partidária. Ao contrário, a tendência, segundo indica o Inesc, é de que se reproduza a correlação de forças da presente legislatura. O PFL e o PMDB continuarão a dar as cartas na Câmara. O PMDB poderá eleger até 90 deputados, mantendo a posição de segunda bancada com seus atuais 88 membros.
O PFL tende a consolidar a posição de maior partido da Casa, mas seu crescimento potencial não será muito superior a atual bancada de 111 deputados. No máximo, o partido elegerá 115 deputados e no mínimo 100. O PPB perderá cadeiras. A previsão é que entre 60 e 68 deputados, em contraste com os seus atuais 78 membros. O outro integrante da coalizão governista, o PTB, tende a ampliar a sua bancada dos atuais 22 membros para algo entre 25 e 30 deputados.
O equilíbrio na distribuição de cadeiras entre as forças que formam a coalizão eleitoral de Fernando Henrique significa que também se frustrarão as pretensões de crescimento das bancadas oposicionistas do bloco de esquerda. Esse bloco, formado pelo PT, PDT, PSB, PC do B e PSTU, controla 97 cadeiras.

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