Com quase 160 cargos comissionados, a Câmara Municipal de Maringá também está no alvo da promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Oficialmente, a Casa Legislativa tem 78 funcionários de confiança ligados à presidência, vice-presidência e secretarias - além dos assessores de gabinete. Segundo o promotor José Aparecido Cruz, há diversos setores em que funções de natureza técnica estão sendo executadas por funcionários de confiança. A Controladoria Interna, por exemplo, que é o órgão responsável pela fiscalização do uso dos recursos do legislativo, tem nove funcionários, todos comissionados. A Procuradoria Jurídica também não conta com nenhum advogado concursado.
De acordo com o promotor Cruz, a distribuição de cargos comissionados nestas áreas facilita os focos de corrupção. ''A recomendação do próprio Tribunal de Contas é que a Controladoria seja exercida por funcionários de carreira porque o compromisso deles com a instituição é maior. Além disso, por ter estabilidade, eles têm mais condições de apontar irregularidades'', avaliou. Outras funções desempenhadas por comissionados na Câmara são: cinegrafista, iluminador, assistente de mídia, assistente de fotografia, assessor para assuntos de imprensa, dentre outros.
Em reunião com o promotor no início do ano, o presidente da Câmara, Mário Hossokawa (PMDB), anunciou a criação de uma comissão interna para estudar a redução dos cargos comissionados. ''Pretendemos reduzir em 20%. Vamos fazer concurso para ocupar os cargos que precisam de gente especializada.'' Hossokawa afirmou, porém, que a contratação de assesores de gabinete não será objeto de estudo. Atualmente, com a verba oficial de R$ 7.200, os vereadores podem contratar quantos assessores quiserem. Há gabinetes com até dez assessores. A estrutura administrativa da Câmara foi criada durante a legislatura presidida por John Alves Correia (PMDB) - alvo de inúmeras acusações de corrupção que estão na Justiça.

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