Câmara deve recuar no auxílio-cônjuge
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segunda-feira, 02 de março de 2015
Andréia Sadi<br> Folhapress 
Brasília - Após a repercussão negativa, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deve anunciar hoje o recuo do benefício aprovado pelo comando da Casa que permite passagens para cônjuges de parlamentares. O peemedebista convocou uma reunião às 11h desta terça-feira com a Mesa Diretora, que aprovou a medida, para discutir os termos do recuo. Segundo a reportagem apurou, uma das medidas em estudo é que o benefício não será mais regra, mas, sim, exceção. Assim, os parlamentares terão de requerer a passagem à Mesa, que decidirá caso a caso.
O comando da Câmara aprovou na última quarta-feira um pacote de reajuste para benefícios dos deputados que terá um impacto anual de R$ 150,3 milhões nos cofres da Casa. Os cônjuges dos deputados foram autorizados a usar passagens em viagens do Estado de origem a Brasília. O recuo ocorre após a repercussão negativa da medida. Na semana passada, as bancadas do PSDB, Psol e do PPS na Câmara anunciaram que irão abrir mão do novo benefício.
Um abaixo-assinado organizado na internet contra a possibilidade de deputados federais usarem recursos do "cotão" para pagar passagens aéreas aos maridos e mulheres já possui cerca de 135 mil assinaturas. O abaixo-assinado foi organizado pelo site Avaaz de petições on-line. O texto da petição chama de "abuso" o benefício e diz que os salários dos deputados já são suficientes para pagar as passagens aéreas dos cônjuges. "Se agirmos rápido e fizermos barulho contra esta medida, podemos envergonhar os deputados e fazê-los reverter a decisão, garantindo que nosso dinheiro vá para hospitais ou escolas. Alguns deputados já se pronunciaram contra o aumento -isso significa que podemos vencer!", diz o texto do abaixo-assinado.
Ontem, a bancada do PT na Câmara decidiu aderir ao movimento contra a chamada "bolsa esposa" - ou "transpatroa" como apelidaram alguns congressistas. Os petistas reforçam a articulação que conta com a participação de PSDB, PPS e PSOL contra a regalia. Com os 65 deputados do PT, agora, o grupo tem 135 congressistas que se comprometeram a não utilizar o benefício. A bancada do PcdoB, com 13 deputados, informou que também abriu mão na semana passada do uso das passagens para cônjuges. Segundo os parlamentares, a autorização confronta a essência do uso da verba, que deve ser, exclusivamente, para gastos relacionados à atividade parlamentar.


