Câmara deve atrasar processo sobre Shirogohan, diz procurador
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terça-feira, 05 de agosto de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O procurador jurídico da Câmara de Londrina, Airvaldo Natal Stella Alves, acredita que o corporativismo dos vereadores e o clima de disputa eleitoral vão atrasar as investigações internas sobre os parlamentares que foram alvo de representação por quebra de decoro parlamentar. Alves se referia especificamente à acusação de que sete vereadores participaram de cobrança de propina para aprovar lei municipal que beneficiou a boate erótica Shirogohan.
O pedido de instauração do processo, que pode levar à cassação de mandato dos acusados, foi apresentado em 15 de julho pelo produtor cultural Juarez Resende de Araújo. Como a Câmara entrou em recesso parlamentar no dia 16, a análise jurídica sobre a admissibilidade da representação só foi iniciada esta semana.
São alvos da denúncia o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), os vereadores Gláudio Renato de Lima (PT) e Renato Lemes (PRB) e os vereadores afastados Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin. O caso Shirogohan já levou ao ajuizamento de uma ação penal e de uma ação civil pública.
Em entrevista ontem pela manhã, o procurador afirmou que irá solicitar ao Ministério Público (MP) informações complementares da investigação e, ''sem dúvida'', encaminhará o processo para a Mesa Diretora da Câmara.
''Esse pedido, se configurado, acarreta cassação de mandato. O que estamos tentando fazer é juntar todos os elementos possíveis porque normalmente as pessoas chegam na Comissão (de Ética) e se omitem, ou negam (as acusações)'', explicou. ''Agora, se você me perguntar se pode ter corporativismo na Câmara: claro (que pode), isso é de se esperar. O processo vai ser célere no segundo semestre? Acho que não.''
De acordo com Alves, o período eleitoral e a existência de outras denúncias contra os vereadores também devem colaborar para o retardamento dos processos. ''A Comissão é pequena, está desfalcada e uma denúncia atrapalha a outra.''
O procurador disse também que pretende se afastar do cargo em breve. Ele afirmou que iria anunciar a medida em julho, mas foi surpreendido pela interpelação do ex-vereador Orlando Bonilha - que o acusa de não ter cumprido ''quarentena'' ao se aposentar como desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ/PR). ''Eu ia sair, mas quando veio o pedido preferi aguardar. Se eventualmente isso não der em nada, eu vou sair daqui sim, e correndo.''
O presidente da Câmara, Sidney de Souza, disse ontem que a Mesa Diretora não recebeu nenhum encaminhamento para abertura de processos disciplinares. Questionado sobre quantos pedidos de investigação chegaram ao Legislativo no primeiro semestre, disse que não sabia ''precisar''.


