Era para ser discutida na sessão de ontem, mas a aprovação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para investigar a planilha do transporte coletivo em Londrina foi adiada para a sessão de amanhã. A proposta, último item na discussão de ontem - na pauta recheada por vetos (a maioria mantidos) do Executivo, além de requerimentos -, foi assunto de uma longa reunião a portas fechadas, na sala da Presidência, em suspensões de tempo de mais de uma hora. A votação da medida na próxima sessão foi sugerida pela própria assessoria da Casa, conforme a reportagem presenciou, sob o argumento de que seria ''mais transparente'' a votação - nesse horário, perto das 19 horas, a maior parte da imprensa já havia deixado o local.
O autor do pedido de CEI é o vereador Joel Garcia (PDT), que ontem anexou ao requerimento original o substitutivo proposto pela Procuradoria Jurídica do Legislativo - a medida solicitava que o objetivo de investigação fosse mais delimitado pela futura comissão. Assim, o documento que vai a votação amanhã destaca, por exemplo, que a ''a planilha de fixação da tarifa municipal do sistema de transporte coletivo (...) nunca foi investigada por esta Casa com o amparo das prerrogativas de uma Comissão Parlamentar de Inquérito''. Um pouco antes, o requerimento, já alterado, lembra de ação civil pública da Promotoria de Defesa do Consumidor, em tramitação na Justiça cível, sobre a composição dos custos da planilha e as forma de reajuste, e menciona as ''sérias denúncias de conhecimento notório divulgadas pela imprensa''.
O documento não foi explícito, mas, ano passado, a relação entre Câmara e transporte coletivo ficou em evidência depois que o ex-vereador Orlando Bonilha admtiu que uma espécie de mensalinho seria paga a pelo menos 12 parlamentares pela Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). A empresa, que nega a acusação de pagamento de propina, é uma das duas concessionárias do serviço em Londrina, junto com a Francovig.
Indagado sobre a demora em levar o assunto a plenário, o pedetista afirmou: ''Tínhamos dois projetos de sessão secreta, além da pauta, que foi demorada'', garantiu. Segundo o vereador, ''não haverá dificuldades em passar a abertura de CEI: temos 17 assinaturas'', asseverou, sem revelar os votos contrários. A FOLHA apurou que seriam dois parlamentares da coalizão que elegeu José Roque Neto (PTB) para a Presidência da Casa, em janeiro.

mockup