Curitiba - Os próximos titulares dos poderes Executivo e Legislativo de Ponta Grossa estarão impedidos de contratar cônjuges ou familiares com parentesco de até terceiro grau. Por 19 votos contra dois, a Câmara de Vereadores aprovou, esta semana, já em segunda discussão, uma emenda à lei orgânica do município que prevê a proibição do nepotismo. A medida vale para os cargos de primeiro e segundo escalões dos dois poderes e, ainda, para senadores, deputados federais e estaduais com domicílio eleitoral em Ponta Grossa. Como não depende de aval do Poder Executivo, a emenda passa a vigorar em 1º de janeiro de 2005.
O autor da proposta, vereador Rogério Serman (PFL), não foi vencido pelo cansaço. Essa foi a quarta vez que ele apresentou o projeto. Nas outras três discussões em 1992, 2001 e 2002 a proposição foi rejeitada. Serman disse que esperou até o final do atual mandato para ficar caracterizada a ''impessoalidade'' do projeto. ''A proposta atende a expectativa da população. A intenção é acabar com privilégio e evitar a troca de gentilezas (entre Executivo e Legislativo)'', declarou.
Não é o que pensa o vereador Rogério Mioduski (PP), um dos votos contrários ao projeto. Mioduski acredita que foi um ataque pessoal, pois ele mesmo admitiu que emprega uma irmã e uma sobrinha na assessoria de seu gabinete. ''Querem ganhar o povo na base da demagogia'', contra-atacou.
O vereador Rogério de Paula Quadros (PMDB), que também votou contra a proposta, defende que ''a família é a base da sociedade''. Disse que não vê problema em empregar familiares que correspondam com a função pública. ''Vai da consciência de cada parlamentar'', afirmou. Quadros ponderou que é contrário aos abusos, mas, para ele, o ''cabidão de emprego'' atinge, também, pessoas que não têm parentesco com seus padrinhos.
Serman não citou nomes de possíveis apadrinhados no poder público de Ponta Grossa. Disse que ''eventualmente acontece''. O prefeito de Ponta Grossa, Péricles de Holleben Mello (PT), não foi encontrado para comentar a nova emenda.
O município de Prudentópolis (64 quilômetros a leste de Guarapuava) também já aprovou proposta semelhante.

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