Câmara decide hoje se abre CP contra Barbosa
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Paula Barbosa Ocanha <br> <br> Reportagem Local 
A Câmara de Vereadores de Londrina deve votar a abertura ou o arquivamento da Comissão Processante (CP) da Centronic contra o prefeito Barbosa Neto (PDT) na tarde de hoje, mas o placar da votação continua indefinido por conta do vereador Eloir Valença (PHS) - que deveria votar pela abertura da comissão, mas, em entrevista à imprensa, já sinalizou que seria contrário. O líder local do PHS, Marcos Defreitas, alegou que a Executiva do partido convocou uma reunião para hoje, às 10h30, com o parlamentar.
''O líder estadual, Valter Viana, estará presente, assim como a Executiva local. Convocamos essa reunião para que ele não diga que não foi avisado sobre a decisão do partido'', explicou Defreitas. Até o final da tarde de ontem, o presidente do PHS local não tinha conseguido conversar com o vereador.
Até o momento, a oposição conta com 12 votos favoráveis à abertura da CP. Com o voto de Valença, seriam 13 - o mínimo necessário para abrir a investigação. Se desobedecer o partido, Eloir pode sobrer sanções partidárias, que vão da advertência à expulsão.
Pedido de CP
O pedido de abertura de CP foi feito em fevereiro pelo presidente local do PMN e ex-secretário de Defesa Social, Benjamin Zanlorenci, baseado no relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Centronic. Entre outras irregularidades, o relatório final da CEI apontou que dois funcionários da empresa de segurança teriam prestado serviços na rádio particular do prefeito, mas ''tinham em seus holerites a informação de que a contratante do serviço não era a rádio e sim o município de Londrina''.
Na época da investigação da CEI, o diretor da rádio informou aos vereadores que o serviço dos vigilantes seria referente a um contrato de permuta entre a rádio e a Centronic, negando que eles seriam pagos com verba pública. Mas a CEI questionou também esse fato. ''A falta de registro contábil põe em dúvida a veracidade do contrato de permuta, porque se houvesse relação contratual, os valores da transação deveriam estar devidamente contabilizados, o que não ocorreu.''
No pedido de abertura de CP, o partido escreve que ''ficou claramente demonstrado no relatório que o prefeito, sua esposa e sua empresa, foram beneficiados pelo fato do município ter arcado com o pagamento dos salários de empregados que prestavam serviços na sua empresa, ou seja, demonstrou que houve enriquecimento ilícito no exercício do mandato''.
Jacks Dias
O relatório da CEI também apontou que o vereador Jacks Dias (PT) teria se beneficiado da contratação da Centronic, em 2006, na gestão do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT). A investigação sustenta que o vereador, quando ocupava o cargo de secretário de Gestão Pública na administração petista, teria recebido R$ 52 mil para facilitar a contratação da empresa pela prefeitura. Além disso, a Centronic teria contratado vigias para prestar o serviço de segurança, apesar da prefeitura pagar salários de vigilantes - vigilantes recebiam R$ 1.147,36 enquanto vigias tinham um salário de R$ 662,88. A diferença de R$ 484,48 nos salários de cada trabalhador ficaria com a empresa.
Como o vereador não estava no exercício do atual mandato quando houve o suposto ilícito, porém, o pedido para que a postura dele fosse avaliada pela Comissão de Ética Parlamentar da Câmara não foi aprovado pela maioria dos vereadores.


