Quase oito anos depois, a Câmara Municipal de Londrina volta a ser palco hoje de sessão especial que discutirá, a partir das 8 horas, se um agente público eleito pelo voto popular deve ou não ter o mandato cassado. O personagem em questão é o ex-vereador Orlando Bonilha (PR), justamente o voto decisivo na cassação do ex-prefeito Antonio Belinati (PP) na sessão histórica do dia 22 de junho de 2000. Último a votar, Bonilha foi o voto de minerva nos dois terços necessários para a condenação do então prefeito, acusado, também por Comissão Processante (CP), de irregularidades nos gastos de publicidade na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI). Foram 14 votos a seis, em 26 horas de sessão.
A suposta quebra de decoro de Bonilha - deflagrada com a prisão do ex-vereador Henrique Barros (sem partido), em janeiro, com R$ 9,9 mil que seriam oriundos de propina - é respaldada por artigos do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, estabelecido na resolução de número 53, de 2003, assinada pelo próprio Bonilha, então presidente do Legislativo. Em meio à crise, ele renunciou ao mandato em 20 de março, nove dias depois de a CP ter sido instalada.
Pelo Código, a sessão de julgamento deverá ser aberta com a maioria absoluta dos membros do plenário e deve obedecer alguns ritos - entre eles, os de esclarecimento aos vereadores sobre a denúncia, as conclusões da CP e os procedimentos de julgamento. Em seguida, será dada a palavra aos vereadores que queiram se manifestar, pelo prazo máximo de cinco minutos, vedados os apartes e a cessão da palavra. Adiante, é passada a palavra ao denunciado ou ao seu procurador pelo prazo máximo de 60 minutos, para defesa oral, para só então ser encaminhada a votação nominal. Se a maioria simples - no caso de Londrina, dez votos - definir por cassação ou absolvição, a Presidência imediatamente proclama o resultado e o comunica em resolução à Justiça Eleitoral que poderá decretar a perda dos direitos políticos de Bonilha por oito anos.
O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, que tentou cancelar e depois adiar a sessão de hoje, garantiu que não apenas não compareceria à defesa, como também não encaminharia qualquer outro advogado de seu escritório. Ele avisou que, se resultado do julgamento for negativo para o cliente, entrará com novo mandado de segurança pedindo a nulidade da sessão. Como o ex-vereador está foragido da Justiça há dez dias, por conta de processo que corre na Justiça Criminal, também é pouco provável que ele próprio se defenda no plenário. Com policiais no local e mandado de prisão em vigência, haveria chances de sair de lá preso.
O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), afirmou que fez ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) a solicitação para que quatro PMs sejam disponibilizados para a sessão. Eles reforçarão um esquema de segurança interno que já conta com nove profissionais terceirizados. Sobre a possibilidade de ausência de advogados de Bonilha, à sessão, o presidente da Comissão Processante, Tercílio Turini (PPS) reforçou: ''De maneira nenhuma haverá prejuízo na discussão e votação dessa sessão especial por um motivo desses; o advogado foi intimado logo que a sessão foi convocada, na terça-feira passada''.

- Serviço:
Os interessados em acompanhar o julgamento das galerias da Câmara deverão retirar senhas a partir das 7 horas.

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