Sessão começa às 7 horas, mas não tem hora para acabar. Belinati é acusado de gastos excessivos e promoção pessoal na publicidade de inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em março do ano passado. Os mais otimistas prevêem que a sessão deve durar, no mínimo vinte horas
Antonio Belinati (PFL) pode ser o primeiro prefeito cassado na história de Londrina. A sessão especial de julgamento da Câmara de Vereadores que irá analisar o relatório pedindo a cassação do mandato de Belinati tem início hoje, às 7 horas, mas não há previsão para o término. Os mais otimistas acreditam que a sessão irá durar, no mínimo, 20 horas.
Belinati, que está afastado judicialmente desde o dia 15 de maio, é acusado de gastos excessivos e promoção pessoal na publicidade de inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em março do ano passado. A denúncia, feita por um grupo de cinco eleitores, transformou-se em alvo da Comissão Processante (CP), que trabalhou durante cerca de 80 dias e apresentou relatório final na semana passada. A CP é favorável à cassação de Belinati por entender que ele cometeu infração político-administrativa. Ele teria gasto, segundo a CP, cerca de R$ 400 mil com publicidade.
Para ter seu mandato cassado, são precisos os votos de 14 dos 20 vereadores – apenas Jorge Scaff (PSB) não votará porque ocupa interinamente o cargo de prefeito. A participação de dois vereadores (Elza Correia – PMDB – e Carlos Santa Rosa – PFL) está indefinida porque a defesa ingressou com recurso na Justiça.
Indefinida também a forma como será a votação – se aberta ou fechada – e o tempo de duração da sessão. Os trabalhos têm início às 7 horas, quando deve ter início a leitura de todas as peças do processo – 1.924 páginas. Segundo informações na Câmara, a leitura demoraria pelo menos 30 horas – o cálculo é de um minuto para cada página.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lauro Zanetti, faz um cálculo diferente: uma página poderia ser lida em 30 segundos. A dispensa da leitura só poderá ser feita pela defesa de Belinati. ‘‘A defesa terá de fazer um requerimento e expor os motivos’’, afirmou o procurador jurídico João Gomes Filho.
Após a leitura do processo, os vereadores poderão se pronunciar. O tempo máximo para cada um é de 15 minutos – o que tomaria cinco horas se todos os 20 resolverem falar. Depois, é a vez da defesa se pronunciar por até duas horas. O prefeito afastado já anunciou que não estará presente à sessão e sua defesa será feita pelo advogado João Alberto Graça. A reportagem procurou o advogado ontem para ele dar informações sobre como seria seu pronunciamento, mas não conseguiu encontrá-lo. Gomes Filho e o presidente do Legislativo, Flávio Vedoato (PL), garantiram que a sessão não será interrompida ou suspensa.
Ontem foi definido também o esquema de segurança do Legislativo. O capitão Altivir Cieslak, do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), informou que pelo menos 70 homens (fardados e à paisana) vão trabalhar para evitar qualquer tumulto. A PM vai estar munida de bafômetros e detectores de metal.
A pedido da direção da Câmara, peritos do Instituto de Criminalística fizeram uma vistoria no prédio ontem à noite. Mesmo procedimento será realizado pela PM hoje de madrugada. Policiais estarão de prontidão no Legislativo a partir das 5 horas.
Durante a sessão ordinária da Câmara, realizada ontem à tarde, o clima, aparentemente, era de tranquilidade entre os vereadores. Alguns deles, como Elza Correia e Roberto Kanashiro (PSDB) usaram a palavra para defender a votação aberta durante o julgamento.

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