Câmara debate convocação de Soraya
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quinta-feira, 01 de setembro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Depois de denunciar o Partido dos Trabalhadores (PT) no Ministério Público (MP), na Polícia Federal (PF) e na imprensa, a ex-assessora financeira da campanha petista pela reeleição, Soraya Garcia, pode ser convidada agora a falar sobre o suposto esquema de dinheiro não contabilizado na campanha de Nedson Micheleti também na Câmara onde a base de apoio ao prefeito é maioria entre os 18 parlamentares.
A proposta foi feita pelos vereadores Henrique Barros (PMDB) e Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), em requerimentos separados que seriam protocolados ainda na sessão de ontem em regime de urgência. A escolha por protelar o convite para a próxima semana foi feita após uma longa reunião a portas fechadas na sala da presidência, com o vereador Orlando Bonilha (PL). Segundo a assessoria de imprensa da Casa, os dois parlamentares não desistiram da intenção, mas a adiaram porque ambos os documentos teriam ''o mesmo objeto''. Nesse intervalo, devem debater de que forma será protocolada uma terceira opção.
Pelo requerimento de Barros, Soraya seria convidada a conversar em Plenário com os vereadores para esclarecer a denúncia de que o PT teria sonegado R$ 5,2 milhões na prestação de contas feita à Justiça Eleitoral. Se aprovada, a discussão com a ex-assessora primeira iniciativa concreta da Casa em debater o assunto deve movimentar os bastidores do Legislativo, uma vez que ela relatou à PF e ao MP que parlamentares da atual Legislatura e candidatos pela chapa Bem Londrina, do PT, teriam se beneficiado dos valores que denuncia.
''É um convite amigável para ela falar, já que tem declarado isso tudo de forma tão contundente à sociedade. Quem está tranquilo, não tem por que impedir que ela venha'', defendeu Barros, para quem ''a Câmara tem que abrir canais, mesmo porque é um poder independente''. O peemedebista garante que a medida não é ''nada pessoal contra colegas de Plenário''.
Já Tamarozzi requereu a presença da ex-assessora para que ela apresente provas das denúncias até então apresentadas contra vereadores. ''É a melhor forma de ela provar que diz a verdade, vamos ver'', desafiou.
Soraya afirmou que ''espera há muito tempo'' pela oportunidade, pois, considera, ''seria já um princípio de acareação''. Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que será difícil apresentar provas do que diz. ''É quase impossível conseguir provar caixa 2, sei disso, porque os envolvidos não queriam notas. Mas posso falar a cada um para quem dei dinheiro, pois sei quem esteve na minha sala, ou mesmo onde foram entregues canetas, réguas e santinhos a outros candidatos. Espero mesmo que me chamem'', concluiu.


