Câmara de Umuarama quer que o voto seja impresso
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segunda-feira, 29 de setembro de 2003
Giovana Kindlein<br>Reportagem Local 
Umuarama Os 19 vereadores da Câmara Municipal de Umuarama (cidade-pólo da região noroeste do Estado) e os 20 presidentes de diretórios de partidos na cidade assinam documento encaminhado às juízas eleitorais Márcia Andrade Gomes Bosso e Zilda Romero, pedindo para que na eleição municipal do ano que vem o voto eletrônico seja impresso. ''Queremos evitar que haja dúvidas na contagem dos votos'', argumentou o vereador Luiz Fernando de Melo Costa (PPS).
As juízas responderam que esta decisão não seria de competência delas e sim do Supremo Tribunal Eleitoral (STE), em Brasília (DF). O documento será reeditado e encaminhado ao STE. A preocupação, segundo Melo Costa, decorre das dúvidas em relação ao destino do voto eletrônico que houve na última eleição municipal de Umuarama em 2000.
Na época, a aliança política (PL/PSD/PSL/PSDC e uma ala do PTB) contestou o número de votos que recebeu, cerca de 17 mil, contra aproximadamente 26 mil, do prefeito Fernando Scanavaca (PP). ''Achamos que houve desvio de votos'', complementou o presidente do diretório do PSDC, Clevérson Alvarenga. De acordo com Alvarenga, alguns incidentes foram até registrados em boletim de ocorrência policial. ''Alguns eleitores testemunharam que mesmo apertando o número do candidato da aliança, na tela aparecia a foto de Scanavaca'', relembrou.
As lideranças anexaram ao abaixo-assinado o artigo ''A seita do santo byte'', do professor Pedro Antonio Dourado de Rezende, da Universidade de Brasília, que alerta sobre a possibilidade de haver manipulação do voto. ''Mesmo que os partidos possam, por exemplo, examinar o código-fonte dos programas que constituiriam o software do sistema eleitoral, se não puderem saber, por meios próprios, se tais programas são exatamente os mesmos usados nos computadores durante a eleição, todo o esforço fiscalizatório torna-se equivalente a um mero ato lúdico, como o de mágicos e palhaços no picadeiro de um circo'', argumenta o professor.
Para o vereador Sebastião de Mendonça Xavier Ribeiro (sem partido), a colocação de uma impressora, como prevê a Lei nº 10.408, a Lei Requião, é importante porque ''numa eventual recontagem de votos é mais fácil para conferir''. Por outro lado, apesar das 39 assinaturas reivindicando a implantação do voto impresso, o presidente da Câmara Municipal, vereador Inácio Pereira Pinto (sem partido) , não se lembrava ontem do pedido, também assinado por ele.


