Câmara de Umuarama cria 20 cargos com salários de até R$ 1,3 mil
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segunda-feira, 23 de junho de 2003
Vânia Moreira<br>Equipe da Folha 
Umuarama - O advogado Ivo Sooma pode ingressar com uma ação popular para tentar anular o projeto de resolução que cria novos cargos na Câmara de Umuarama. O projeto, aprovado a toque de caixa semana passada, permite a contratação de 20 assessores parlamentares com salários que podem chegar a R$ 1,3 mil mensais. O projeto foi aprovado em duas sessões extraordinárias realizadas no mesmo dia.
O presidente da Casa, Inácio Pereira Pinto (PFL) ainda conseguiu incluir uma emenda garantindo gratificações de até 100% sobre o salário-base, fixado em R$ 632,00. Ivo Sooma disse ontem que vai estudar o conteúdo do projeto e sua tramitação para tentar encontrar alguma brecha que fundamente um pedido de anulação judicial. ''Ainda estamos analisando essa possibilidade'', adiantou.
Se todos os cargos forem preenchidos, a Câmara passará a gastar quase R$ 800 mil por ano apenas com assessores para os vereadores. Em maio, a Câmara tentou aprovar a criação dos cargos em sessões extraordinárias convocadas pela prefeitura, mas teve de retirar a resolução de pauta porque não havia cumprido os trâmites legais. Desta vez, a manobra funcionou. O projeto foi aprovado por 12 votos contra 7 junto com um pedido da prefeitura para abrir crédito especial destinado à construção de um abrigo para animais.
Contrário ao aumento de servidores, o vereador Fausto Carneiro (PT) disse que nenhum dos dois projetos justificava a votação em sessão extraordinária. ''Foi uma estratégia para evitar mobilizações e protestos contra a aprovação dos cargos. Na extraordinária, não podemos nem pedir vistas do projeto'', reclamou Carneiro.
O presidente da Câmara diz que a criação dos cargos pode ''ser um pouco imoral, mas não é ilegal''. Ele justifica que os 19 vereadores de Umuarama têm apenas um assessor, insuficiente para o trabalho. Os sete vereadores que votaram contra garantem que não vão nomear ninguém para o cargo. A Câmara tem até o dia 28 para colher a assinatura dos membros da diretoria e publicar a resolução. A viagem do primeiro-secretário da Câmara, Antônio Milton Siqueira (PMDB), para um congresso no Nordeste, de onde só retorna na semana que vem, está sendo apontada como uma manobra para não assinar a resolução, mas a assinatura dele pode ser substituída pela do segundo secretário, Sidmar Vasiliausha (PDT), que aprovou os novos cargos.


