A Câmara de Vereadores de Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina), decidiu ontem apenas notificar os envolvidos na investigação da Comissão Especial de Investigação (CEI) instaurada para apurar a denúncia de desvio de R$ 13,6 mil dos cofres públicos municipais. Cópias do procedimento também serão encaminhadas ao Ministério Público (MP). Quem esperava que os vereadores punissem os envolvidos ou os absolvessem saiu frustrado. Não houve definição.
A comissão, instaurada no dia 3 de junho, apurou a denúncia do comerciante e proprietário da Farmácia Tamarana, Wagner Nunes do Nascimento, feita a promotora de Defesa do Patrimônio Público, Solange Vicentin.
Conforme o comerciante, um empréstimo pessoal do prefeito, no valor de R$ 10 mil, teria sido pago com um cheque de R$ 13,6 mil, como sendo a quitação da dívida do município com a farmácia. Segundo Nascimento, a negociação teria sido feita pelo vice-prefeito, Plinio Pereira de Araúnjo Júnior (PTB), que sugeriu que ele fizesse a denúncia contra o prefeito Paulo Nakaoka (PSDB).
Em uma sessão extraordinária, acompanhada por dezenas de pessoas munidas de faixas e cartazes, apenas oito - dos nove - vereadores apreciaram dois relatórios apresentados pela CEI: o assinado pelo relator, Elias Ferreira de Moraes (PSB), que recomendava a cassação do mandato do vice-prefeito, por quebra do decoro, e o relatório assinado pelo presidente da CEI, Cidnei Bolotari (PFL) e o membro José Maurício Barroso (PSDB).
Moraes foi impedido de votar por um requerimento apresentado pelo advogado de Araújo, José Araídes Fernandes - ex-promotor de justiça -, protocolado para apreciação da comissão trinta minutos antes do início da sessão.
''Esse vereador (Elias Ferreira de Moraes) de uma maneira precipitada, desastrada até, se esqueceu que era vereador e saiu por aí apregoando o seu voto, dias antes do dia designado para entrega do relatório. Isso traz uma parcialidade, mostrou interesse na causa, que o Paulo seja beneficiado'', justificou o advogado.
Por cinco votos a três, o relatório que pedia a cassação de Araújo foi reprovado. Colocado em votação, foi aprovado, pelo mesmo número de votos, o relatório assinado pelo presidente e pelo membro da comissão.
''Eu acho que esses trabalhos devem ser revistos em algum sentido. Eu não concordo com o afastamento, eu não poder dar o meu voto. Acho que estão tomando medidas precipitadas e não seria nessa sessão o momento certo para essa decisão. Vou entrar com recursos e reivindicar os meus direitos como vereador dessa Casa'', afirmou Moraes. ''No meu ponto de vista, tudo o que o vice-prefeito fez só levaria a uma cassação por tudo o que está nos depoimentos, a conduta do vice-prefeito'', complementou o relator da CEI.
Conforme Bolotari, os trabalhos da Comissão Especial de Investigação da Câmara estão encerrados. ''A comissão se encerrou, apresentou o relatório, e vão ser notificadas as pessoas envolvidas para que tenham conhecimento dos trabalhos. A comissão deu o seu voto divergente do relator e o plenário decidiu.''

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