Câmara de São Jerônimo decide futuro político de prefeito afastado pela Dejá Vù
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terça-feira, 07 de janeiro de 2020
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
A CP (Comissão Processante) aberta pela Câmara Municipal de São Jerônimo da Serra (norte pioneiro) optou pelo arquivamento da denúncia de infração político administrativa contra o prefeito João Ricardo de Mello (ex-PPS). Ele foi afastado do cargo pela Justiça em outubro do ano passado. À época foi deflagrada a Operação Dejá Vù pelo Ministério Público do Paraná, que apura suposto esquema com fraude e superfaturamento em licitações no município. O prefeito chegou a ficar preso e o vice Laércio Pereira Correia foi apenas afastado do cargo.

Após aberta por unanimidade no final de novembro, os três membros da Comissão Processante optaram pelo arquivamento da investigação interna por "ausência de indícios de irregularidades". Assinaram o documento no dia 31 de dezembro, o vereador Sebastião Lima (relator), Wilson Marcelo Scerbo (presidente), e o José Jacir Sampaio (membro). Já o relatório final será apreciado em sessão extraordinária nesta terça-feira (7) às 19 horas. São necessários cinco dos nove vereadores para pôr fim a investigação.
Para o presidente interino da Câmara Municipal, Paulo César Silva, a população de São Jerônimo da Serra segue dividida sobre o tema corrupção que assombra a cidade. " A população sofre com as gestões. Saúde aqui é precária, município dependente de recursos. Entendo que cada vereador tem o voto dele, mas a população está dividida e é fácil de ser manipulada." avaliou Silva. A própria operação foi apelidada de Dejà Vú' pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizada) porque os mesmos fatos apurados em 2019 eram semelhantes aos investigados pela Operação Sucupira de 2014. À época João Ricardo Mello era vice-prefeito e dois anos depois foi eleito prefeito da cidade.
Trâmite
Após processo judicial, o munícipe Rubens Alves dos Santos protocolou denúncia por infração política contra prefeito e vice na Câmara Municipal com pedido de cassação do prefeito para apurar fatos revelados pela Dejá Vù. Caso os vereadores derrubem o arquivamento, a CP processante segue na Casa e serão arroladas testemunhas de acusação e defesa e o processo pode durar até 90 dias e levar à cassação do mandato. O ex-presidente da Câmara, Sidney Navarro Junior, segue como prefeito em exercício em São Jerônimo da Serra. A FOLHA não conseguiu contato com a defesa do prefeito afastado.


