Câmara de Rolândia cogita abrir Comissão Processante contra Francisconi
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quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Guilherme Marconi <br> Reportagem Local 
Alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) aberta no dia 28 de maio na Câmara Municipal de Rolândia, o prefeito afastado Luiz Francisconi Neto (PSDB), o Doutor Francisconi, poderá enfrentar uma CP (Comissão Processante) por quebra de decoro, o que poderia implicar na cassação do mandato. O Legislativo investiga pagamento de contratações sem o procedimento licitatório ou dispensa de licitação. Para abertura da CP são necessários sete votos entre os dez parlamentares.
O presidente da CPI, o vereador Alex Santana (PSD), diz que há clima para abertura da CP. "Eu acredito que tem chance de ser por unanimidade diante da gravidade dos fatos." Isso porque na segunda-feira (17), foi deflagrada a Operação Patrocínio, do MP (Ministério Público) na qual foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Rolândia. A decisão do do TJ (Tribunal de Justiça) afastou Francisconi e outros nove agentes públicos por envolvimento em suposto esquema de corrupção. Francisconi, que estava em viagem com a família na Disney, deve voltar de férias nesta quinta-feira (13).
Segundo Santana, a CPI - que investigava no Legislativo os mesmos fatos descobertos pelo MP - terminou a fase de oitivas na última semana. Foram ouvidas 14 pessoas, entre elas secretários envolvidos. Foram analisados outros documentos, notas fiscais e contratos. Apenas o chefe de gabinete, Victor Hugo da Silva Garcia, não compareceu para prestar depoimento. "Durante todo o processo ele dificultou suas intimações.", diz. Garcia está entre os 11 investigados pelo MP.
A expectativa é que até sexta-feira (14) seja finalizada a CPI que está sob a relatoria do vereador, Irineu de Paula (PSDB). "A Câmara de Rolândia não poderia fazer vista grossa contra a corrupção. Havia muita gente usando a máquina para desviar dinheiro. Foram meses de muito trabalho e muitos documentos analisados".
ESQUEMA
A investigação aponta falsificações de notas fiscais, entrega de produtos e serviços superfaturados para propiciar desvio de dinheiro para os membros da organização criminosa. Os promotores identificaram R$ 237 mil recebidos e pagos dentro do esquema de propina, mas o valor total dos contratos sob investigação passam de R$ 7 milhões.
Nesta quinta-feira (13), haverá audiência com os investigados no Fórum de Rolândia para cumprimento das cautelares (instalação de tornozeleira). Quem não comparecer poderá ser pedida a prisão. A FOLHA não conseguiu contato com a defesa dos investigados.


