A Câmara Municipal de Piraquara cassou, na última sexta-feira, o mandato do ex-presidente do Legislativo Gilmar Luís Cordeiro, o Professor Gilmar (PSB). Os parlamentares acataram as denúncias de acúmulo de cargos públicos e de que o filho daria expediente dentro das dependências da Casa.
Professor Gilmar foi cassado por dez votos favoráveis e dois contrários, incluindo o dele próprio, após a leitura do relatório da Comissão Processante (CP) que investigou as denúncias. Ele diz que foi punido por não corroborar com os interesses dos políticos.
Eleito para um cargo eletivo pela primeira vez, Professor Gilmar foi eleito presidente do Legislativo no início do ano. Em fevereiro, recusou-se a dar aumento aos vereadores e ao prefeito, o que deveria ter ocorrido no ano anterior. Desde então, afirma, teve dificuldades na gestão.
Além do acúmulo dos cargos de diretor da Escola Estadual Vila Macedo e de que o filho dele exercia funções administrativas na Câmara, também enfrentava acusações de segmentar a contratação de serviços para enquadrá-los na dispensa de licitação; contratação com verbas públicas de serviços que poderiam ser executados por servidores da Câmara e confecção e distribuição de material apócrifo durante a campanha eleitoral do ano anterior. Somente as duas primeiras foram acatadas.
O vereador diz que a decisão da Câmara foi política, com o intuito de tirá-lo da vida pública. "Já esperava esse resultado devido a minha posição de oposição na cidade. Virou uma guerra política", diz.
Gilmar afirma que, dois dias após ser afastado da presidência, seu sucessor reajustou os salários dos vereadores de cerca de R$ 5,5 mil para mais de R$ 6,9 mil.
O escritório de advogados que o defende divulgou, ontem, uma gravação em que o presidente em exercício, Erondi Lopes (PT), diz a uma mulher que, caso Gilmar renunciasse à presidência, teria o mandato poupado. Além disso, atribui desgaste a brigas entre o filho do vereador cassado e outros parlamentares dentro da Câmara.
Sobre a gravação, ele resume: "O Erondi conversa com uma mulher chamada Jane, na qual diz que sou um grande cabeça-dura e, se tivesse renunciado à presidência, não sofreria a cassação. Eles tentaram nos últimos dias que eu renunciasse à presidência, assim eles não me cassariam. Eu não estou ali para fazer jogo político da cidade. Por isso não renunciei", diz.
O advogado que defende Gilmar, Pedro Farah, afirma que vai entrar com recurso na Justiça para reaver o cargo. "Essa decisão é absolutamente abusiva. O motivo que levou à instauração do processo nunca foi análise de decoro parlamentar, O objetivo do processo era eliminar o Gilmar enquanto inimigo político, que causava transtorno para um grupo que age em Piraquara por interesses escusos", diz.
Segundo ele, a Constituição Federal, no artigo 38, garante aos homens públicos com cargo eletivo o acúmulo, caso não haja incompatibilidade de horários. Afirma, ainda, que o filho do ex-vereador tinha o direito de entrar na Câmara, mas que não exerceu função alguma.
A FOLHA tentou contato com Erondi Lopes na tarde de ontem, mas ele não atendeu às ligações.

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