Câmara de Maringá ignora investigação contra Pupin
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quinta-feira, 05 de novembro de 2015
Edson Ferreira <br>Reportagem Local 
Apesar do ensaio da oposição na Câmara de Vereadores de Maringá (Noroeste) para tentar abrir uma investigação contra o prefeito Carlos Roberto Pupin (PP), que teve bens bloqueados pelo Tribunal de Justiça do Paraná por suposto envolvimento na contratação irregular da empresa Sistema Pri Engenharia e Planejamentos Ltda., a repercussão na Casa deve ser pequena. Procurados pela reportagem, oposicionistas informaram que as suspeitas sobre o contrato já haviam sido levantadas no plenário.
O vereador Humberto Henrique (PT) analisa desde agosto um conjunto de 123 páginas de documentos sobre o caso. "Fiz o requerimento cobrando da prefeitura mais informações sobre esse serviço em abril e só recebi a resposta quatro meses depois. Creio que é possível propor a abertura de uma CPI para apurar o fato." Para o vereador Dr. Manoel (PCdoB), "a CPI é boa porque as coisas podem ser esclarecidas e se não estiverem certas, tem que ser resolvidas". Dos 15 vereadores, 11 estão na situação.
No entanto, ambos citaram o caso da CPI do Lixo, que conseguiu, desde que foi proposta no começo do ano, apenas quatro signatários. "Para ser instalada, é preciso ter cinco assinaturas, mas até o vereador que é gari se recusa a assinar", comentou Dr. Manoel, se referindo ao colega Luizinho Gari (PDT). Neste caso da coleta do lixo, há suspeitas de superfaturamento em proposta de Parceria Público-Privada (PPP), que custaria R$ 2 bilhões.
Conforme a FOLHA noticiou ontem, Pupin, o ex-prefeito e atual secretário estadual de Planejamento, Silvio Barros II, e outros três ex-assessores do primeiro escalão tiveram a decretação de indisponibilidade dos bens no valor de R$ 3 milhões pela desembargadora do TJ, Regina Afonso Portes, que avaliou "haver indícios suficientes" para a medida. Feita inicialmente em 2010, na gestão de Silvio, a contratação da empresa Sistema Pri já havia sido objeto de críticas no Legislativo. Mesmo sendo do interior de São Paulo, a empresa fez doação de R$ 39,3 mil para a campanha de Pupin à prefeitura.
O líder do prefeito na Câmara, Dr. Sabóia (PMN), minimizou a decisão do TJ que envolve Pupin. Ao criticar o que chamou de excesso de instâncias recursais no Judiciário, ele afirmou que pode haver injustiça se ao final do processo o chefe do Executivo for absolvido das acusações. "Bloquear bens é muito fácil. Cabem várias apelações e o que um juiz decide o outro muda. Tudo demora para terminar. O Judiciário tem que julgar e, a partir daí, a Câmara pode tomar as devidas providências."
Sabóia reconheceu, porém, que conhece poucos detalhes da acusação contra o grupo político que ele representa na Casa. "Ainda não tive tempo de conversar com o prefeito sobre isso, mas vamos ter essa conversa para saber o que aconteceu nesse caso (da contratação da Sistema Pri)."
A presidente do Observatório Social de Maringá (OSM), Fábia Sacco, lamentou que a situação tenha chegado ao Judiciário, uma vez que a entidade apontou irregularidades ao no último contrato firmado entre o Sistema Pri e a Prefeitura de Maringá, em 2012, e levou relatório detalhado ao município. Só então, o caso foi comunicado ao Ministério Público (MP). "Nosso objetivo não é denunciar. É evitar o eventual desvio ou desperdício de dinheiro público, a movimentação do Judiciário", afirmou a advogada. "Mas, quando os órgãos públicos não atendem às nossas recomendações, temos que agir de outra forma. Isso gera, sim, certa decepção." (Colaborou Loriane Comeli)


