O presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Londrina, vereador Rony Alves (PTB), afirmou que a Casa já considera a possibilidade de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar as supostas irregularidades na aquisição, pelo município, da coleção de livros ''Vivenciando a Cultura Afro-brasileira e Indígena''. A produção dos livros é assinada pela editora Ética, que recebeu um valor superior a R$ 600 mil da Prefeitura de Londrina pela compra. Os livros foram considerados racistas pelo Ministério Público (MP) do Estado. De acordo com o MP, a coleção coloca o negro e o índio em posição de inferioridade em relação ao branco.
''Há um pedido de informação feito ao prefeito (Barbosa Neto) e estamos aguardando resposta. Se não tivermos essas explicações, nós vamos investigar de forma mais profunda, e a forma mais profunda de se investigar é a abertura de uma CEI'', afirmou o vereador.
Alves disse que um dos focos é saber em quais circunstâncias foi dado o parecer que autorizou, ou não, a compra do material. ''Primeiro pela vergonha que é o livro em si. O material desde a sua capa até o final é muito mal elaborado, muito mal feito. Depois o preço que foi pago. E ainda tem a questão do conteúdo'', declarou.
O vereador também questionou a indicação da empresa, que teria sido feita pelo ex-chefe de gabinete Fábio Góes, conforme depoimento da gestora municipal de Promoção de Igualdade Racial Maria de Fátima Beraldo, revelado anteontem pela FOLHA. ''O que mais me intriga é, primeiro, a indicação do secretário Fábio Góes. Por que o secretário ditou as regras para a gente comprar um livro tão ruim? Qual é a formação que ele tem para fazer uma indicação tão infeliz?'', atacou.
O vereador Rony Alves disse que a prefeitura tem até o próximo dia 27 para responder à requisição e que não deve conceder prorrogação a esse prazo.

mockup