Câmara de Londrina discute toque de recolher
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terça-feira, 04 de agosto de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Câmara de Vereadores de Londrina retornou ontem do recesso com uma longa votação sobre a proposta de se impor uma espécie de toque de recolher a adolescentes menores de 16 anos presentes em bares, cybercafés, lanchonetes, restaurantes e outros estabelecimentos do gênero após as 23 horas. Por 16 votos a dois - e a abstenção do vereador Tito Valle (PMDB) -, o parecer contrário da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) à proposta do tucano Paulo Arildo foi derrubado, e, agora, segue às comissões permanentes antes da votação em primeiro e segundo turnos.
Conforme a matéria, adolescentes com menos de 16 anos que quiserem permanecer nesses locais após o horário definido precisam estar acompanhados dos pais ou de um maior responsável. Para casos de descumprimento, a matéria especifica até três penalidades ao estabelecimento infrator: a notificação com prazo de trinta dias para se adequar à lei; multa de R$ 100 e cassação do alvará de funcionamento, observado o contraditório e ampla defesa. No penúltimo dos seis artigos, Arildo explica que os recursos oriundos das multas aplicadas terão de ser investidos em programas sociais desenvolvidos pela administração pública municipal por meio dos fundos dos conselhos municipais.
Na justificativa, o tucano aponta que a nova regra pretendida se justifica em função do alto índice de violência envolvendo menores à noite e porque os adolescentes estão começando a beber mais cedo, escondidos dos pais e pelo fato de os mesmos estarem sendo usados para venda de drogas e práticas de alguns crimes após o horário supracitado. Em plenário, exemplificou: As crianças estão sendo usadas por traficantes maiores de idade, e, muitas vezes, porque se envolvem em más companhias. Tem estudo apontando que o adolescente não precisa de motivo para começar a beber - e depois da cerveja vem o cigarro, a maconha, a cocaína, o crack. Diversos fatores contribuem para a entrada dele na criminalidade, defendeu. No entanto o tucano, que já defendeu o fechamento de bares às 23 horas (a chamada Lei Seca, que naufragou) e a proibição de se distribuir pílula do dia seguinte na rede municipal de saúde (proposta que também não vingou), admitiu que o toque de recolher careceria de uma estrutura de fiscalização que, hoje, não existe no município. As secretarias não poderão fazer essas fiscalizações, por isso, teremos que fazer parcerias.
Assim como Arildo, que é ligado a movimentos católicos, Gérson Araújo (PSDB), pastor evangélico, também saiu em defesa da proposta. A gente fica preocupado com o jovem de família que vai encontrar com marginal nesses locais, disse.
Voto vencido, Sandra Graça (PP) atacou: o toque de recolher aos menores de 16 anos é uma forma de, na avaliação da vereadora, terceirização da educação dos nossos filhos. Compete a nós educar nossos filhos, não vamos delegar isso à sociedade. Se a pessoa não vai ter controle sobre aquele ser humano ou amá-lo, que não coloque esse inocente no mundo, sugeriu. O presidente da Casa, José Roque Neto (PTB), respondeu à colega: Mesmo nas famílias mais abastadas se terceiriza a educação, vereadora - elas contratam baby sisters (babás).
Já Marcelo Belinati (PP), incisivo no discurso de que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) virou uma fábrica de bandido, em um país em que a lei é bonita só no papel, acabou votando com o autor do projeto. Essa é uma questão bastante profunda que tem de entrar no seio da família. O próprio presidente da CCJ, Joel Garcia (PDT), por sinal, também votou contra o parecer da comissão.


