Câmara de Londrina arquiva projeto da lei seca
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Câmara de Londrina cedeu ontem ao lobby dos donos e funcionários de bares e restaurantes e enterrou uma discussão que se arrastava já há cerca de quatro anos. Por 11 votos contrários, três favoráveis e três abstenções, o Plenário rejeitou o projeto que, sob o pretexto de diminuir os índices de violência na cidade, limitaria o horário de funcionamento desse tipo de estabelecimento no município. A votação da matéria proposta em 2005 ocorreu ainda em primeiro turno e foi acompanhada por representantes de setores diretamente abrangidos pela lei.
Autor da matéria, Paulo Arildo (PSDB), que na sessão passada ainda contabilizava cinco votos a favor da proposta, viu o líder de seu partido, Gerson Araújo, e o vereador Pastor Renato Lemes (PRB) debandarem com suas abstenções. Ficaram a favor apenas ele próprio e os pedetistas Joel Garcia e Roberto Fu.
Além dos discursos de praticamente todos os parlamentares, o projeto que já foi tema de sete audiências públicas ainda teve manifestações - contrárias - de representantes da Associação de Bares e Restaurantes de Londrina (Abrasel), do Londrina Convention and Visitors Bureau (LCVB) e do Sindicato Empregados no Comércio Hoteleiro e Similares de Londrina. Por este último, o secretário da entidade, Jadson Santos, apontou o risco de pelo menos 2.500 postos de trabalho serem ameaçados. ''Temos combater não quem gera emprego: hoje existem cerca de 5 mil bares ilegais em Londrina, e não há fiscalização. (A lei seca) É mais uma lei para que não será fiscalizada'', disse Santos.
Para o presidente da Abrasel em Londrina e empresário do ramo, Arnaldo Falanca, nem mesmo as manifestações favoráveis de autoridades policiais e da Promotoria de Meio Ambiente deveriam respaldar a proposta. ''Esse é o setor que absorve mão-de-obra de baixa qualificação, sobretudo jovens.'' Após o arquivamento, Falanca admitiu: ''Temos de fazer um trabalho de conscientização, estabelecimentos, famílias e polícia, para que o cliente beba menos, ou, se beber, que não dirija''. Sobre a poluição sonora aludida na matéria e mesmo pela promotoria, o empresário resumiu: ''A sociedade é que tem de forçar as autoridades para que isso seja fiscalizado''.
Na avaliação de Arildo, os colegas ''não entenderam a proposta; ficaram intimidados com a pressão sofrida''. De agora em diante, afirmou, vai trabalhar em novo projeto correlacionado à lei seca: dessa vez, o que estabelece fiscalização de agentes de trânsito também no período noturno.


