A Câmara de Vereadores de Jardim Alegre (115 km ao sul de Apucarana) pode fechar as portas se a prefeitura não quitar as dívidas com os funcionários, fornecedores e vereadores. A ameaça foi feita ontem pelo presidente da Câmara, Luiz Gilberto Spadrizani (PFL). Ele não soube informar o total da dívida do município com a Câmara, mas, segundo Spadrizani, os vereadores não recebem há cinco meses e os funcionários e os fornecedores há dois meses cada um.
‘‘O pessoal todo cobra de mim e o povo também nos cobra 24 horas por dia. Pede passagem, remédio. A gente tenta explicar que está sem dinheiro, mas muita gente não acredita’’, diz o presidente da Casa. Ele disse que várias negociações foram feitas com o prefeito Osmir Miguel Braga (PTB). O salário de cada um dos nove vereadores de Jardim Alegre, que tem cerca de 15 mil habitantes, é de R$ 1,2 mil/mês.
O presidente da Câmara admite que a situação da prefeitura não é fácil. ‘‘Mas é a primeira vez que a Câmara atrasa pagamento de funcionário’’, relaciona. São quatro servidores.
O prefeito não foi encontrado ontem pela Folha. O chefe de gabinete dele, Paulo José da Silva Filho, disse que a falta de repasse à Câmara é reflexo da crise. ‘‘Esse mês ainda não conseguimos pagar os servidores da prefeitura’’, afirma. Segundo ele, são cerca de 300 funcionários e uma folha mensal de R$ 150 mil, contra uma arrecadação média de R$ 200 mil. ‘‘E a cada mês o recurso vem mais baixo’’, reclama.
Ele diz que o município está fazendo a sua parte, cobrando judicialmente o IPTU e os alvarás em atraso, além de ter parado máquinas e reduzido despesas. ‘‘Estamos economizando 32 mil reais por mês’’, afirma. Silva Filho disse que já negociou com os vereadores e com os funcionários de pagar parte das dívidas no dia 30 e outra parte no dia 10. (P.Z)

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