Câmara de Ibiporã instala Comissão Processante contra prefeito
João Coloniezi diz que investigação é uma perda de tempo e tem claro objetivo eleitoreiro
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terça-feira, 11 de agosto de 2020
João Coloniezi diz que investigação é uma perda de tempo e tem claro objetivo eleitoreiro
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
A três meses das eleições, a Câmara Municipal de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) aprovou, durante a sessão realizada na noite de segunda-feira (10), a instauração de CP (Comissão Processante) para investigar suposta infração político-administrativa cometida pelo prefeito João Coloniezi (MDB). Conforme a denúncia, que tem base na representação feita pelo vereador Kléber Machado (PL), por reiteradas vezes, sem motivo justo, o prefeito teria deixado de atender aos Requerimentos de Informações encaminhados pela Câmara, ficando “evidente o desrespeito à Lei pelo prefeito, uma vez que sua conduta tem sido reincidente, mesmo com as devidas reiterações e advertências também encaminhadas pelo Legislativo."

A CP foi aprovada por 6 a 3, com os votos favoráveis dos vereadores Ilseu Zapelini (PSD), Lafayette Forin (PSD) – que substituiu o denunciante, impedido pela legislação de participar da votação –, Mari de Sá (PP), Professor Abreu (Pode), Roberval dos Santos (PL) e Zezinho Estoril (Pode); e os votos contrários dos vereadores Miro Despachante (PSL), Rafael da Farmácia (MDB) e Victor Carreri (PSL).
Escolhido por sorteio após a aprovação da CP, Zapelini será o presidente da comissão de investigação. Segundo ele, é dever da Câmara fiscalizar os atos do prefeito. "Estamos abrindo o processo para investigar. Não estamos cassando o prefeito. A gente não pode se omitir em fiscalizar. Se não tiver nenhuma irregularidade, vamos dar parecer contrário", disse o vereador ao citar que o prefeito teria desrespeitado leis e prazos regimentais.
Questionado pela FOLHA sobre o suposto uso político do CP a três meses do primeiro turno das eleições municipais, o vereador negou perseguição. "Não é isso porque o vereador não pode se omitir. Para o vereador também será ruim conduzir uma comissão processante. Todos precisamos trabalhar. Essa situação amarra todo mundo, mas não podemos nos omitir."
SURPRESA
Em entrevista à FOLHA, João Coloniezi, que é um virtual candidato à reeleição, disse que foi pego de surpresa da votação da CP. Segundo ele, a sua assessoria está levantando todos os pedidos feitos pelo Legislativo sobre requerimentos e já encontrou alguns elencados na denúncia que teriam sido respondidos. Ele negou ainda as acusações de que teria se omitido a respondê-los. "É uma medida precipitada, com claro intuito de mascarar situações de ex-prefeitos. Eu não tenho nenhuma prestação de contas desaprovadas, nenhuma ação civil pública correndo contra o meu nome. Estou tranquilo e sei que não devo nada".
Coloniezi afirmou ainda que a investigação é uma perda de tempo da Câmara e que tem claro objetivo eleitoreiro. "O meu propenso adversário tem uma reunião com esse seis vereadores que votaram favoráveis à investigação amanhã. É muito triste uma notícia dessa vinda da Câmara neste momento. É um assunto banal que não merece nem crédito e não tem fundo algum de verdade."
Segundo o regimento, a Câmara tem cinco dias para notificar o prefeito e ele terá prazo de 10 dias para apresentar defesa prévia, por escrito. A CP tem prazo de 90 dias para apresentar relatório sobre a cassação ou absolvição do prefeito. Essa decisão será levada novamente à votação, e precisará de dois terços (seis) dos votos para ser convalidada.


