Câmara de Ibiporã aponta superfaturamento em obras
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
A Comissão de Justiça da Câmara Municipal de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) apontou possível superfaturamento em quatro obras construídas no município: a revitalização da Praça Pio XII (Centro); a construção de calçadas e meio fio em vários locais da cidade; a quadra poliesportiva da Escola Municipal Alice Roma Botti Schimtt, no Jardim Residencial Sant'Anna; e melhorias no Cemitério Municipal São Lucas. O valor pago a mais pela administração do prefeito reeleito José Maria Ferreira (PMDB) seria de aproximadamente R$ 236 mil.
O relatório da comissão foi rejeitado na Câmara por cinco votos a quatro na última segunda-feira. Na próxima segunda-feira, a Câmara vai analisar mais cinco perícias que também apontam suposto superfaturamento em obras públicas. ''Com a rejeição do relatório, a solução foi encaminhá-lo aos órgãos competentes'', disse o presidente da Comissão de Justiça, João Odair Pelisson (PTB), citando o Ministério Público e Tribunal de Contas do Paraná. ''As diferenças de preço são absurdas, mas também há irregularidades no uso de material de qualidade inferior ao que foi pago.''
As perícias foram requisitadas após o parecer técnico ter apontado possíveis irregularidades na revitalização da Praça Jacob Casagrande. Segundo a perícia, o valor total da obra deveria ser de R$ 316,8 mil, ante um custo de R$ 431,7 mil. O Ministério Público instaurou procedimento para apurar os fatos.
O secretário de Planejamento, Paulo Sérgio Victor, disse que ainda não teve conhecimento das novas irregularidades apontadas pela Câmara, que estaria se recusando a enviar cópia ao Executivo, mas, defendeu-se sobre o laudo envolvendo a revitalização da Praça Jacob Casagrande. Lá, a perícia apontou irregularidades quanto à espessura do piso colocado, de 4 centímetros, enquanto a planilha previa 8 centímetros; havia previsão de instalação de 20 lixeiras, que custariam mais de R$ 2 mil cada uma.
Victor disse que esses problemas já foram sanados, uma vez que no momento do pagamento houve desconto de R$ 35 mil na colocação do piso e de R$ 47 mil nas lixeiras. Ele também disse que houve erros no laudo apresentado pela Câmara porque o perito não teria contabilizado custos com retirada de árvores e entulho, por exemplo. ''Eu critico veementemente este laudo porque se baseou em fotos e estimativas grosseiras, sem levar em conta critérios técnicos e não nos permitiu mostrar nossa versão.''
O autor da perícia, o engenheiro civil Luciano Bucharles, que é perito oficial do Paraná, não polemizou, afirmando que fez os orçamentos com base nos dados informados na planilha constante nos contratos com as empresas que executaram os serviços.


