A Câmara de Guaíra (110 quilômetros a sudoeste de Umuarama) aprovou o relatório da CPI que aponta irregularidades nos gastos com alimentação durante a segunda edição dos Jogos dos Povos Indígenas, realizados entre 14 e 20 de outubro de 1999 na cidade. O relatório, aprovado por 6 votos a 4, será agora encaminhado para o Ministério Público que deverá instaurar uma ação para investigar o caso. Cópias também serão remetidas ao Ministério dos Esportes e aos tribunais de Contas.
Durante os jogos, o município teria gasto 35 toneladas de alimentos num total de R$ 68 mil para alimentar os 601 participantes durante os 7 dias de jogos, o que dá uma média de 11 quilos por pessoa por dia. Quando os vereadores começaram a investigar, a prefeitura apresentou uma carta de crédito da empresa Comercial Lopes, vencedora da licitação, de R$ 30 mil equivalentes a 17 toneladas de mercadorias não retiradas. A sobra não foi informada nas prestação de contas do município ao Indesp. O intituto liberou R$ 310 mil para os jogos.
Os vereadores também levantaram provas de que a empresa vencedora da licitação fabricou os pães consumidos durante os jogos na panificadora da Secretaria do Bem Estar Social e que parte da carne foi comprada do fazendeiro Luiz Venâncio, marido da vice-prefeita, Maria Elci Venâncio (PMDB). A CPI ouviu 25 pessoas.
O prefeito e presidente da comissão organizadora dos jogos, Manoel Kuba (PPB) sustenta que não existiu má-fé nem desvios na aplicação dos recursos. Para ele, a CPI tem motivações políticas. Kuba diz que os alimentos que sobraram serão utilizados em projetos sociais e que a prefeitura apenas cedeu as instalações da panificadora para a Comercial Lopes. Ele alega ainda que a empresa podia comprar os alimentos de quem quisesse desde que repassasse ao município no preço e condições exigidos na licitação.

mockup