A Câmara de Vereadores de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão) aprovou, anteontem à noite, em primeiro turno, um projeto que reduz em 37,06% os salários dos vereadores a partir de janeiro. Com isso, o rendimento de um vereador vai cair de R$ 1,7 mil para R$ 1,25 mil. O projeto original, no entanto, previa uma redução ainda maior (R$ 1.070,00), mas os vereadores aprovaram um substitutivo.
A sessão de segunda-feira foi tumultuada e chegou a ser suspensa por alguns minutos. A Câmara ficou lotada, com cerca de 150 pessoas. Houve discussões entre vereadores contrários à redução para R$ 1.070,00 e o assessor jurídico do Legislativo, Antônio de Jesus Filho. A discussão mais acirrada foi com o vereador Antônio Bernardino Sena Neto (PMDB), candidato a prefeito.
Os cinco vereadores que apresentaram o projeto do salário de R$ 1.070,00 votaram contra a proposta aprovada de R$ 1.250,00. Um deles é o presidente da Câmara, Evaldo Kovalski (PFL). Ele disse que deveria apresentar ainda ontem um novo substitutivo para deixar o salário na casa dos R$ 1 mil. ‘‘Qualquer salário maior do que isso pode deixar a Câmara inviável’’, prevê. ‘‘Nossa arrecadação é pouca e o número de vereadores é alto.’’
Com isso, a Câmara terá uma economia mensal, em 2001, de R$ 5,77 mil. Nos quatro anos da legislatura, a economia será de R$ 277 mil. Esta foi a segunda vez que os vereadores aprovaram redução salarial nesta legislatura. Quando eles tomaram posse, o salário de cada um era de R$ 2,7 mil. A primeira redução salarial foi aprovada no ano passado.
A polêmica dos salários dos vereadores se arrasta desde 1992, quando a Câmara aprovou um reajuste para a legislatura seguinte, já após as eleições daquele ano. O caso virou uma ação na Justiça. Hoje, dois vereadores – José de Souza Lopes (PTB) e José Florentino de Oliveira (PFL) – estão sendo impedidos pela Justiça Eleitoral de tentar a reeleição porque receberam a mais naquele período. Os dois aguardam recursos TRE.
Em Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão), o ex-presidente da Câmara Jânio de Oliveira e Silva (PRP) parcelou em seis pagamentos de R$ 4 mil a devolução de salários recebidos a mais em 93/96. ‘‘Desisti de recorrer porque o desgaste pessoal é muito grande’’, explicou Silva.
Em abril de 1993, os vereadores aprovaram um auto-reajuste de 40%. O caso virou uma ação popular em 1995 e, desde então, duas sentenças judiciais já decidiram pela devolução. Silva considerou a decisão injusta, alegando que aplicava o salário atendendo a população.
Silva disse também que as decisões vêm sendo usadas por adversários para dizer que ele estaria inelegível. Por isso, ele obteve certidão da Justiça Eleitoral confirmando que é candidato. Dos nove vereadores de 93/96, só dois disputam agora.

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