Todos os nove vereadores de Fênix (63 km a leste de Campo Mourão) aprovaram ontem em sessão extraordinária a cassação do prefeito afastado Aristóteles Santos Filho (PMDB). A decisão foi respaldada pelo relatório de uma Comissão Processante (CP) instaurada mês passado para apurar denúncias de quebra de decoro e improbidade supostamente cometidas por Santos Filho. O peemedebista está preso na delegacia de Campo Mourão desde junho, após denúncia criminal por homicídio qualificado ingressada pelo Ministério Público (MP).
  Em maio, Santos Filho foi indiciado pela Polícia Civil suspeito de ser co-autor do assassinato do prefeito de Fênix, Manoel Custódio Ramos - em fevereiro de 2006 -, do qual era vice-prefeito à época do crime.
  A Câmara de Vereadores já havia afastado o prefeito pelo prazo de 90 dias, em junho, até que saísse o relatório da CP. Na ocasião, assumiu a Prefeitura o presidente da Casa, Mauro Mangioni (PMDB).
  A criação da CP se pautou pela denúncia formulada este ano por um munícipe. Além da suposta quebra de decoro, o grupo também analisou a possibilidade de indícios de crime de improbidade que teriam sido cometidos. O principal, conforme o relatório aprovado ontem, é o uso de uso do cargo para benefício de bens e recursos públicos a fins particulares.
  De acordo com o advogado da Comissão, Moacir Silva, o grupo analisou e anexou cerca de 1,4 mil documentos que comprovariam gastos com pelo menos 40 diárias destinadas ao gabinete (cada uma, R$ 362) em novembro de 2007 e junho passado. A irregularidade, disse, estaria em supostos reembolsos de despesas à parte das diárias. ‘‘Além de ele receber duas vezes dos cofres do município, comprovamos que algumas diárias pagavam eventos dos quais o prefeito sequer participava’’, relatou o advogado. ‘‘Em novembro de 2006, ele gastou diárias para um evento em Foz do Iguaçu, mas, de um único dia, apresentou notas fiscais de despesas de lá, de Londrina e de Maringᒒ, comentou. Conforme Silva, uma auditoria independente da Prefeitura levantará os valores envolvidos.
  A resolução da Câmara com a cassação e cópia do relatório serão encaminhadas hoje ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Segundo o advogado da CP, advogados do prefeito ‘‘por mais de uma vez foram intimados a comparecer hoje (ontem) às defesas, sem sucesso’’ - o que foi feito por um advogado designado pela comissão.
  A FOLHA ligou no final
da tarde no escritório de um dos advogados de Santos Filho, mas ninguém atendeu a reportagem.

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