A Comissão Especial de Investigação (CEI) instalada pela Câmara Municipal de Faxinal (região do Vale do Ivaí) reagiu ontem à decisão dos deputados estaduais que concluíram pela inocência do ex-secretário da Agricultura Hermas Brandão (PTB) e de Milton Pupio (PTB) num suposto esquema de desvio de recursos do Programa de Apoio à Pequena Propriedade, ocorrido em dezembro de 96. ‘‘Corporativismo puro’’, classificou ontem a presidente da CEI, vereadora Maria Brugnaro Camacho (PMDB).
Ela e o relator Arildo Ferreira (PT) foram à tarde consultar a promotora do município, Kyo Sun Lee, para se informar das consequências para as investigações que terá a decisão da comissão de deputados. ‘‘Estamos perplexos. Apesar do ex-prefeito (Dirceu Dutra Guerra) não ter sido colocado como inocente, não podemos ignorar os desdobramentos deste episódio. Como é que o dinheiro foi parar nas contas dos deputados estaduais? Será que o rastreamento feito pela Justiça estava errado?’, questionou.
Maria Brugnaro e Arildo Ferreira saíram da audiência com a promotora com a garantia de que a devolução de R$ 60 mil, feita pela Construtora Navarro através do prefeito Valdecir Aparecido Polettini (PSDB) à Codapar, há cerca de 15 dias, não encerra a ação civil pública, nem invalida o trabalho da CEI já concluído. ‘‘A devolução do dinheiro é prova do delito. E terão de pagar os juros, correção e multa desde 96, quando a recuperação do parque (de exposição) deveria ter ocorrido. Vai chegar a R$ 200 mil’’, arrisca Ferreira.
Mais que comprovar um suposto envolvimento de Brandão e de Pupio, os vereadores de Faxinal querem garantir que o ex-prefeito Guerra (PDT) fique inelegível de seis a oito anos, como requer a ação instaurada pelo Ministério Público de Faxinal. ‘‘Ele (Dutra Guerra) ainda tem pretensões políticas. O que nós queremos é que o nosso trabalho não acabe em pizza. Foi detectado que R$ 10 mil foram para a conta dele. Queremos a devolução’’, prega Arildo Ferreira.
Maria Brugnaro apontou ainda motivos técnicos que podem ter levado o proprietário da Construtora Navarro, José L. Navarro, a repassar a quantia para o atual prefeito de Faxinal. ‘‘Além da manobra política, o Tribunal de Contas estava em cima da história’’, afirma a vereadora, referindo-se a parecer assinado pelo procurador no TC, Lauri Caetano da Silva. Em 12 de novembro de 97 - quase um ano depois da Codapar entregar os R$ 60 mil para a empreiteira - ele determinou a devolução das contas por falta de documentos.
A comissão de deputados se reúne hoje em Curitiba para leitura do relatório final, feito pelo deputado José Tavares (PTB) e supervisionado pelo presidente do grupo, Horácio Rodrigues (PL). A idéia é deixar o texto pronto para apresentação em plenário no próximo dia 16 de fevereiro, quando a Assembléia retoma o período ordinário.

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