A Câmara de Vereadores de Farol (25 km a oeste de Campo Mourão) rejeitou anteontem à noite, por oito votos a um, as contas de 1995 do então prefeito Gilmar Cardoso (PPS). A votação da Câmara manteve a decisão do Tribunal de Contas (TC) do Estado. O TC havia rejeitado as contas devido ao uso irregular de recursos da Caixa de Seguridade dos Servidores (previdência municipal) e à falta de licitação para a compra de combustíveis.
O presidente da Câmara, Agnaldo Messias de Souza (PSDB), disse que vai esperar a aprovação da ata da sessão de anteontem (o que deve acontecer na semana que vem), para enviar o resultado da votação ao Ministério Público (MP). Na mesma sessão, a Câmara aprovou as contas de 1996 de Cardoso, mas reprovou as contas da Caixa de Seguridade.
Cardoso disse ontem à Folha que não licitou a compra de combustíveis porque na época os preços eram controlados pelo governo. ‘‘Os preços eram os mesmos e ninguém iria dar desconto para a prefeitura que comprava na base do fiado.’’ Sobre os recursos da Caixa de Seguridade, ele afirmou que não houve desvios. ‘‘Apenas o dinheiro foi aplicado em imóveis cinco meses antes do prazo permitido em lei municipal.’’
Segundo ex-prefeito, os recursos da previdência foram usados na compra do terreno e construção do prédio da prefeitura, que depois foi alugada ao município. Ele afirmou ainda que se houve irregularidades na Caixa de Seguridade, há outros responsáveis pelos recursos, inclusive o vereador Vilmar Schiavon (PMDB), que era o presidente da Câmara na época. Schiavon foi autor do parecer favorável à reprovação das contas de Cardoso.

mockup