Curitiba - A Câmara Municipal de Curitiba enfrenta uma fase difícil. Dois dos 35 vereadores e dois ex-vereadores foram denunciados pelo Ministério Público (MP) estadual por apropriação indevida de salários de funcionários, usados como ''laranjas''. O presidente da Câmara, João Cláudio Derosso (PSDB), admite que as apurações prejudicam a imagem da Casa, gerando desgaste junto à opinião pública. Para Derosso, o Ministério Público está cumprindo seu papel de investigação, mas as apurações acabam arranhando a imagem do Poder Legislativo como um todo.
Um dos alvos de investigação é o vereador Elias Vidal (PFL), que está no seu segundo mandato e foi denunciado por peculato (delito cometido por funcionário público ao desviar ou se apropriar de dinheiro ou outro valor, público ou particular, em proveito próprio ou de terceiros). A denúncia foi protocolada pela Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público no dia 29 de maio. Além de Elias Vidal, foi denunciado seu filho Ednilson Marcos Vidal, que trabalha como assessor parlamentar.
Segundo as apurações do MP, no início do primeiro mandato, Vidal teria nomeado para o cargo de assistente parlamentar um balconista de uma lanchonete no bairro Bacacheri, de propriedade do vereador. Interrogado pelo MP, o balconista revelou que não sabia da contratação para trabalhar na Câmara. A suspeita do MP é que, com as cópias dos documentos do balconista, teria sido providenciada a abertura de uma conta corrente no Banestado onde seriam depositados os salários mensais do balconista. A conta, no entanto, seria movimentada por Ednilson Vidal. O valor desviado, pelos cálculos da Promotoria, chegaria a R$ 165,8 mil. A reportagem da Folha tentou contato com Vidal, mas ele não deu retorno ao pedido de entrevista.
Os promotores também investigaram o vereador Paulo Frote (PSC). Ele foi denunciado por apropriação de salários de servidores e estava preso desde o dia 8 deste mês, mas conseguiu a liberdade na quarta-feira última. O juiz titular da 10 Vara Criminal em Curitiba, D'Artagnan Serpa Sá, revogou a prisão do vereador, que estava no Centro de Triagem. O MP estadual denunciou Frote por peculato e concussão (extorsão cometido por funcionário público no exercício de suas funções).
O MP alega que o vereador receberia em conta particular parte da remuneração de funcionários que ficavam à disposição de seu gabinete. Segundo a auditoria feita pelo MP, o desvio seria próximo a R$ 591 mil, entre outubro de 1996 e maio de 2000. O advogado que defende Frote, José Cid Campêlo, explicou que o vereador tem duas semanas para apresentar sua defesa perante a 10 Vara.
Além de Frote e Vidal, são alvo de investigação do MP o ex-vereador e ex-deputado estadual Aparecido Custódio da Silva, do PTB, e a ex-vereadora Jane Rodrigues. Custódio ficou preso cerca de nove meses na Capital, chegou a fazer greve de fome, e foi libertado no mês passado.

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