Câmara de Campo Mourão passa por momento difícil
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segunda-feira, 01 de setembro de 2003
Sid Sauer<br>Equipe da Folha 
Campo Mourão - A Câmara de Vereadores de Campo Mourão passa por um dos piores momentos de sua história. O motivo é uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta para apurar a denúncia de que vereadores estariam ficando com parte do salário de seus assessores de bancada. Durante os trabalhos, a comissão não conseguiu provas, mas levantou indícios e desgastou a imagem do Legislativo junto à comunidade.
Toda vez que um vereador é acusado de alguma irregularidade, é o nome da Câmara que é colocado em dúvida, lamenta o presidente Izael Skowronski (PPS). Hoje, cada vereador de Campo Mourão tem direito a um assessor, com salário de R$ 957,49, mas esse benefício é novo no município. Na legislatura anterior, apenas o partido contava com assessoria. Há 15 anos, a figura do assessor nem existia nos quadros da Câmara.
Desgastes à parte, Skowronski se orgulha da estrutura enxuta do Legislativo municipal. A Câmara não tem nem carro. Quando é necessário, são usados veículos dos próprios vereadores ou emprestado da prefeitura. O orçamento deste ano é de R$ 1,6 milhão, menos da metade do que a Câmara teria direito dentro dos limites impostos pela Constituição Federal. O salário de cada vereador é de R$ 2.418,70 mil.
Recentes tentativas de tornar a Câmara ainda mais econômica, no entanto, acabaram rejeitadas. A propopotas de reduzir o número de vereadores de 17 para 13, por exemplo, foi engavetada por uma comissão especial de mérito sob a alegação que o assunto já vem sendo tratado no Congresso Nacional. Os vereadores também se recusaram a diminuir o número e o valor das diárias que pegam em viagens a trabalho.
Apenas nos primeiros oito meses do ano, a Câmara de Campo Mourão gastou R$ 68,3 mil com diárias. Desse total, R$ 28,2 mil foram em viagens de vereadores. Cada um deles tem direito a 16 diárias por ano de R$ 200,00 cada uma, totalizando R$ 3,2 mil. Dois vereadores já usaram todas diárias do ano. Outros seis ainda não utilizaram nenhuma. Cinco assessores também já usaram todas as diáras do período (R$ 2 mil cada um).
Goioerê- A Câmara de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão) entrou este ano com um mandado de segurança na Justiça para aumentar seus repasses mensais. Uma liminar garantiu que a parcela mensal de R$ 44 mil enviada pela prefeitura fosse elevada para R$ 56 mil. Apenas pedimos para receber o duodécimo que tínhamos direito e o que precisávamos para cobrir as despesas, frisa o presidente, Ademir Flor (sem partido). De acordo com o presidnete, a Câmara de Goioerê tem uma estrutura pequena, que serve de modelo para outros municípios.


