Câmara de Bituruna vota relatório
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quarta-feira, 12 de março de 2008
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Câmara de Vereadores de Bituruna, município de 20 mil habitantes localizado na região de União da Vitória, vota hoje relatório final da ''CPI das Raves'' que investigou, durante cinco meses, irregularidades nos gastos públicos durante gestão do ex-prefeito Remi Ranssolin (PTB), que é provável candidato à Prefeitura. De acordo com o presidente da Câmara e relator da CPI, Pedro Padilha (PSC), a CPI investigou especificamente os gastos com a realização dos eventos Festa do Vinho e Raves, entre os anos de 2001 e 2004, cujo valores corrigidos até 2007 somaram mais de R$ 1 milhão.
Padilha informou que dentre as irregularidades estariam compras sem licitações, processo licitatórios com a participação de apenas um concorrente, gastos superfaturados com locações de lonas e promoção de festas raves com dinheiro público. ''O ex-prefeito tentou derrubar a CPI com liminares judiciais, mas não conseguiu, e não compareceu para ser ouvido pela CPI. Ele usou R$ 1 milhão do município para pagar despesas das festas e cobrava ingressos, cujos valores nunca foram entregues ao município. Só de sonegação de impostos apuramos por baixo cerca de R$ 150 mil'', acusou ele. Segundo o vereador, Ranssolin foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) a devolver R$ 200 mil aos cofres municipais.
O advogado do ex-prefeito, Eduardo Ferreira, rebate que a prestação de contas da gestão de Ranssolin foi aprovada pelo TCE e que a CPI das Raves se resume a articulações do atual prefeito, Lauro Augustini (PSC), ''para desgastar politicamente seu cliente, líder de opinião pública''. ''A Câmara deve investigar as irregularidades da atual gestão. O Fórum de União da Vitória deferiu uma liminar contra o prefeito por ele usar a máquina pública para fazer publicidade própria'', acusou. Segundo ele, Bituruna é alvo de disputa porque é uma ''cidade privilegiada'' por receber royalties e ter receita mensal de cerca de R$ 2 milhões. ''Meu cliente não se manifestou na CPI porque tecnicamente não poderia sem que antes ouvissem as testemunhas. Agora eles não querem ouvi-lo porque têm medo do que ele possa dizer''', justificou.
O secretário de Administração de Bituruna, Jamar Gobi, defendeu que a CPI não se trata de perseguição política comandada pelo prefeito, já que a investigação é feita pela Câmara, que tem autonomia para tal procedimento. ''As acusações do advogado demonstram infantilidade e despreparo. Se ele tem provas que as apresente ao Ministério Público para que sejam investigadas, porque é na justiça que se prova quem é santo e quem é bandido'', resumiu Gobi, que respondeu pelo prefeito que ontem estava viajando.


