Câmara de Assaí decide não investigar vereadores após agressões
Presidente do Legislativo propôs abertura de uma Comissão Processante, mas nenhum vereador foi favorável
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quinta-feira, 20 de março de 2025
Presidente do Legislativo propôs abertura de uma Comissão Processante, mas nenhum vereador foi favorável
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

O plenário da Câmara Municipal de Assaí decidiu nesta quinta-feira (20) não abrir uma CP (Comissão Processante) para investigar uma possível quebra de decoro parlamentar dos vereadores Paulo Cezar Miyasaki, o PC Caminhoneiro (PSB), e Carlos Júnior da Silva, o Juninho do Cartório (PL), que trocaram empurrões, chutes e socos dentro do Legislativo no dia 11 de março. Os parlamentares, contudo, seguem impedidos de entrar no prédio da Câmara pelos próximos 30 dias, conforme havia sido determinado pela Mesa Executiva.
Foram favoráveis à manutenção da suspensão por 30 dias e contrários à abertura da CP os vereadores Alessandro Cezar Torquato (PL), Clesio Carlos Cruz (PL), Paulo Hara (PSB) e Raidar Ahmad Ali Chehade (Podemos). Rosano Custódio (PSD) e Neuza Costa (PSD) não compareceram à sessão.
Logo após o término da votação, o presidente da Câmara de Assaí, vereador Jorge Torquato Júnior (PSB), divulgou uma nota afirmando que a decisão de abrir ou não a CP é política e que cabia ao plenário deliberar sobre o assunto.
Procurado pela reportagem, o presidente disse que os parlamentares presentes na sessão entenderam que a suspensão temporária é “suficiente neste momento”. Como foi autor da denúncia, ele não votou.
“Eu fiz a proposta de Comissão Processante, pois como presidente gostaria de tomar as devidas providências, mas para abertura é necessário ter a maioria simples dos votos. Infelizmente, todos os presentes votaram contra”, afirmou.
As imagens da confusão no plenário da Câmara ganharam repercussão nos últimos dias. Câmeras de segurança do Legislativo mostram que PC inicia uma discussão com Juninho, que se levanta; na sequência, o vereador do PSB empurra o colega, que revida; depois, a troca de socos e chutes começa. Quem acompanhava a sessão tentou apartar a confusão.
Um boletim de ocorrência foi registrado após a PMPR (Polícia Militar do Paraná) ser acionada. O BO afirma que, após a briga, PC Caminhoneiro teria dito que buscaria uma arma de fogo. A defesa de Juninho alega que o vereador sofreu ameaças do lado de fora da Câmara.
A dupla de vereadores foi proibida de entrar no prédio do Legislativo no dia seguinte à agressão. "Foi uma solicitação de todos os funcionários da Casa, de alguns vereadores também, para proteger a segurança de todos nós e para que os ânimos se acalmem nesse período de 30 dias", disse o presidente nesta quinta.
As atividades parlamentares não serão afetadas, já que PC e Juninho poderão participar das reuniões das comissões permanentes e nas sessões de forma virtual.
O advogado Mário Barbosa, que representa Juninho do Cartório, disse à FOLHA que, como houve a rejeição da abertura do CP, a defesa não vai tentar reverter a proibição de o parlamentar frequentar o prédio público no período de 30 dias. “Tendo em vista que não vai prejudicar sua função legislativa”, pontuando que será mantida a representação criminal contra o outro vereador, que poderá ainda se desdobrar em uma ação civil.
Procurado, o vereador PC Caminhoneiro não retornou.


