Brasília - A Mesa da Câmara decidiu ontem por 5 votos a 1 determinar ao Conselho de Ética a abertura de processo de cassação contra 13 deputados acusados de envolvimento no escândalo do ''mensalão''. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), não votou, mas apoiou e foi o principal fiador da tese vencedora, que representa um ultimato aos acusados: se não renunciarem até as 18h de segunda-feira, quando os processos devem ser instaurados, correm o risco de ficar inelegíveis até 2015 em caso de cassação.
A reunião da Mesa ocorreu em ambiente tenso, com vários questionamentos regimentais e com a crítica de que a investigação está colocando em um mesmo patamar deputados que teriam níveis de envolvimento distinto com as supostas irregularidades. O único a votar contra a proposta de abertura dos processos, João Caldas (PL-AL), 4º secretário, criticou duramente o processo de investigação. ''Os erros são gritantes, todo esse procedimento até aqui é uma aberração, isso vai ser derrubado por qualquer um no Judiciário'', disse.
A decisão de ontem tem origem no relatório parcial das CPIs dos Correios e do Mensalão que apontaram o envolvimento de 19 deputados com o esquema de financiamento de partidos governistas montado pelo PT em parceria com o publicitário Marcos Valério.
Desses, um deputado foi cassado - o denunciante Roberto Jefferson (PTB-RJ), já que o esquema não teria sido provado nos moldes por ele descrito, de pagamento de mensalidade de R$ 30 mil ao PL e PP pelo PT - e outros dois renunciaram: Valdemar Costa Neto (PL-SP) e Carlos Rodrigues (PL-RJ). José Dirceu (PT-SP), Sandro Mabel (PL-GO) e Romeu Queiroz (PTB-MG) já sofrem processo no Conselho. Os acusados são: Pedro Henry (PP-MT), Vadão Gomes (PP-SP), Pedro Corrêa (PP-PE), José Janene (PP-PR) Wanderval Santos (PL-SP), José Borba (PMDB-PR), José Mentor (PT-SP), João Magno (PT-MG), João Paulo Cunha (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), Professor Luizinho (PT-SP), Paulo Rocha (PT-BA) e Roberto Brant (PFL-MG).

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