Brasília - A Câmara criou ontem um grupo de trabalho para discutir os projetos que vetam candidaturas de políticos com ''ficha suja''. Como não há consenso entre os deputados para a votação dos projetos, o grupo vai tentar reunir as propostas em um texto único para ser submetido à análise do plenário da Casa.
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), trabalha para conseguir aprovar no primeiro semestre uma agenda de votações de apelo popular. Temer quer ganhar força na Casa para ser indicado à vice-presidência na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na corrida presidencial.
O projeto dos ''ficha limpa'' está na lista do peemedebista. Apresentado em setembro passado com 1,3 milhão de assinaturas, o texto prevê que condenados em primeira ou única instância por crimes graves não possam disputar eleições.
A ideia que mais ganha força entre os parlamentares é estabelecer que a restrição para a candidatura de políticos com problemas na Justiça só seja aplicada após a análise do processo pela segunda instância do Poder Judiciário.
Para o líder do PSDB, João Almeida (BA), a mudança na legislação para instituir os ''ficha limpa'' traria mais segurança e evitaria questões regionais. ''Eu sou da Bahia e eu tenho conhecimento de que há por lá muito juiz engajado em campanha política, que exerce papel de agente político. Fico temendo que isso possa ser uma decisão com o propósito de facilitar a vida de um ou outro candidato. Com a decisão em segunda instância, seria mais tranquilo e não traria prejuízo a ideia central da proposta'', afirmou.
Desde o ano passado, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) pressiona o Congresso para colocar em votação o projeto impedindo a candidatura de políticos com ''ficha suja'' em todas as esferas de Poder. Segundo representantes do movimento, o projeto não é contra o parlamentar, mas é a favor da dignidade do trabalho parlamentar e do Executivo.
O projeto enfrenta resistências na Câmara e no Senado. Os parlamentares defendem a manutenção da atual legislação de que a candidatura só deve ser impedida após a análise dos processos em última instância pela Justiça. A justificativa é de que as disputas regionais, muitas vezes, provocam perseguição política que levam a denúncias sem fundamento.
A campanha ''Ficha Limpa'' é uma iniciativa do MCCE e tem o apoio da Cáritas Arquidiocesana, confederação de organizações humanitárias da Igreja Católica, e do Movimento do Ministério Público Democrático.

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