Câmara confirma doação de área a aposentados
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de maio de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Após uma discussão recheada de contradições e equívocos, a Câmara Municipal aprovou ontem, por unanimidade, a cessão de uma área de 3.669 m2 na zona sul, próxima à barragem do Lago Igapó 1, para a Associação Beneficente e Cultural dos Aposentados e Pensionistas de Londrina e Região Norte do Paraná.
O projeto, apresentado pela vereadora Maria Ângela Santini (PT), renova concessão realizada em 2003 cujo efeito caducou no ano passado em razão do não cumprimento da contrapartida que era a construção da sede social da entidade. Parecer de duas comissões internas de Constituição e Justiça (CCJ) e de Desenvolvimento Urbano (CDU) desaconselharam a operação sob o argumento de que a área, identificada como ''play ground'' pela prefeitura, se destinava à construção de uma área de lazer.
''Não era praça, se fosse eu não estaria a favor. Não sei porque está descrito assim (playground) nos documentos'', explicou Maria Ângela Santini. ''Achei um projeto muito bonito porque vai beneficiar uma entidade que representa 40 mil aposentados.'' Questionada sobre os pareceres técnicos contrários, a vereadora alegou que a Câmara ''é uma casa política''.
O diretor-tesoureiro da associação dos pensionistas, Moacyr Piantavini, explicou que a entidade tem 1.200 filiados e que a área em questão vai abrigar um Centro de Convivência para os idosos. ''Vai ser um centro com 450 m2, ao custo de R$ 300 mil, para convivência dos idosos. A obra só não saiu antes porque a Prefeitura demorou a emitir alguns documentos e a verba foi para outro empreendimento. Vamos correr atrás do dinheiro novamente.''
A psicóloga Nina Cardoso, que também é filiada à entidade, contradisse o aposentado e garantiu que a obra não será um ''centro de convivência''.''Isso tem que ficar claro, vamos fazer a sede social. Existe muita diferença entre um centro de convivência e uma sede. A nossa será sede'', afirmou.
O vereador Sidney de Souza (PTB), presidente da CCJ, votou favoravelmente à cessão do terreno e explicou ter desconsiderado seu próprio parecer porque não se tratava de uma praça. ''Praça é uma área circundada por ruas'', afirmou genericamente. Informado de que a entidade tem 1.200 filiados e não 40 mil conforme o texto do projeto Sidney de Souza disse que é um ''fato importante'' e que pediria explicações á vereadora Maria Ângela Santini. ''Eu votei favorável porque achei que iria beneficiar um grande público.''
O presidente da CDU, Jamil Janene (PL), também alegou 'interesse público' para votar a favor da matéria e contra seu próprio parecer técnico. ''Diante do fato de que a praça não foi feita, achei melhor aprovar a doação.''
O projeto de lei deve ser homologado pelo Executivo com prazo de dois anos para a obra ser realizada. Caso a contrapartida não seja cumprida, a concessão do terreno teria que passar por nova votação na Câmara Municipal.


