Brasília - O presidente interino da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Cabo Patrício (PT), disse ontem que a Casa deve retomar os trabalhos hoje com a eleição do novo corregedor que será responsável pela análise dos processos por quebra de decoro parlamentar contra oito deputados distritais envolvidos no suposto esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal (GDF).
A Casa também deve instalar hoje uma comissão especial para analisar os três pedidos de impeachment protocolados contra o governador José Roberto Arruda (DEM) por crime de responsabilidade.
A eleição do corregedor deveria ter ocorrido na tarde de ontem, mas a sessão foi cancelada porque houve um tumulto entre manifestantes que defendem a permanência de Arruda no cargo e os estudantes que ocuparam o plenário da Casa desde quarta-feira pedindo a renúncia do democrata.
O presidente interino sinalizou ontem que a Casa não deve entrar em recesso, o que adiaria ainda mais a análise dos pedidos de cassação contra Arruda. ''Ainda tem o Orçamento, ainda temos umas matérias que precisam ser analisadas. O trabalho continua'', disse.
O tumulto na Câmara local começou no final da manhã, quando o grupo pró-Arruda e os estudantes trocaram provocações nas galerias. Os estudantes ocuparam o plenário da Câmara para pressionar os deputados distritais a votarem o impeachment do governador. Já o grupo pró-Arruda chegou ontem ao local e passou a defender a continuidade do governo Arruda.
O clima ficou tenso e o comando da Câmara pediu o reforço da Polícia Militar. Cerca de 700 homens trabalharam na operação. De acordo com a PM, havia 300 manifestantes na Câmara - entre os contrários e os favoráveis a Arruda. Eles saíram da Câmara em ônibus pago pela CUT e devem ser levados para a
Universidade de Brasília (UnB ).
Após negociação de uma comissão formada por policiais militares e distritais convenceram os estudantes a sair. Alguns deles foram carregados por policiais.
Após a saída dos manifestantes, os policiais realizam uma varredura no local. A Justiça concedeu reintegração de posse para a Câmara na sexta-feira passada. Mas só ontem a decisão foi cumprida - após a Justiça ameaçar processar o secretário de Segurança Pública por descumprimento de ordem judicial. Anteontem, a PM informou que não pode fazer a desocupação porque faltavam homens para retirar os manifestantes sem uso de força.

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