Câmara cassa prefeito no Norte
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segunda-feira, 24 de julho de 2000
Valcir Machado Enviado a Santana do Itararé Especial para a Folha 
A Câmara de Vereadores de Santana do Itararé (123 quilômetros ao sul de Jacarezinho) cassou ontem à tarde o mandato do prefeito Mário Coppola (PFL). Ele é acusado de desvio de verbas. Ontem mesmo o vice-prefeito Jorge da Silva (PSDB) conhecido como Curiango, pediu sua renúncia porque é candidato a prefeito este ano e o vereador José Clemente de Azevedo assumiu o cargo. Azevedo não integrava a Mesa do Legislativo, mas é o único dos nove vereadores que não é candidato à reeleição. Os 120 funcionários da prefeitura que estavam em greve por falta de pagamento dos salários e em apoio à cassação voltam hoje pela manhã ao trabalho.
A batalha que se armou para cassar o mandato de Coppola começou há dois anos. Dos nove vereadores, apenas dois Jair Maia (PFL) e Pedro Batista Alves (PDT) permaneceram na bancada governista. Eles não compareceram à sessão de ontem.
Realizada num prédio alugado porque a sede da Câmara sofreu incêndio considerado criminoso no dia 9 de junho, a sessão foi convocada para votar o relatório da Comissão Processante que apontou o prefeito como culpado.
O presidente da CP, José de Jesus Isac (PMDB) disse que o prefeito já respondia por outras denúncias numa CEI que apurava um suposto desvio de R$ 400 mil em recursos oriundos do Fundo de Manutenção do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Nós convocamos o prefeito cinco vezes para se defender e ele sempre fugiu como um covarde, disse.
Ontem a cidade estava agitada com o início da Festa da Padroeira (Santa Ana), que vai até amanhã, e a já aguardada cassação do prefeito. Todas as pessoas que estavam no interior do improvisado plenário foram revistadas pela PM. Quando foi lido o parecer final da CP a platéia irrompeu em aplausos.
O documento explica detalhadamente como Coppola teria se apropriado de parte dos R$ 49,5 mil destinados pelo governo estadual à reforma do Colégio Humberto Castelo Branco. Houve quebra do sigilo bancário dos envolvidos e foi apontado o advogado do prefeito, José Alves de Oliveira como laranja. Notas de uma empresa, fechada em 1997, foram usadas para pagamentos na conta corrente do advogado. No relatório há depoimentos evidenciando que houve apenas serviços de maquiagem na escola e não uma reforma total como determinado pela Fundepar.
O prefeito preferiu não prestar declarações à imprensa.


