Câmara cassa prefeito de Carlópolis
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terça-feira, 10 de novembro de 1998
Patríca Zanin 
A Câmara de Vereadores de Carlópolis (80 km ao sul de Jacarezinho) aprovou ontem, por seis votos a três, a cassação do mandato do prefeito Adir José Ciofi (PTB). Ele é acusado de várias irregularidades, entre elas a contratação irregular de funcionários, licitações fraudulentas e desvio de dinheiro público. As irregularidades - um total de 23 - estão listadas no relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada para apurar denúncias contra o prefeito.
De acordo com o presidente da Câmara, Amauri Aparecido Domingues (PMDB), Ciofi tentou obstruir os trabalhos da CEI, alegando que ela era improcedente, mas o Legislativo conseguiu uma liminar para prosseguir as investigações. Uma auditoria também foi contratada pela Câmara para levantar as irregularidades.
Entre as principais denúncias comprovadas pela CEI, segundo Domingues, estão apropriação indevida de recursos. Ele contou o exemplo de Gilda Domingues que trabalhou dois dias para a prefeitura e assinou recibo de R$ 1.040,00, quando recebeu apenas R$ 20,00. O restante ficou com a prefeitura, afirmou o presidente. Também foi citado no relatório o caso de João Mariano que recebia um salário mínimo mensal, mas em seus recibos constavam R$ 450,00.
Segundo ele, o prefeito se recusou a apresentar defesa, argumentando que não cabia aos vereadores analisar as denúncias. Segundo Domingues, Ciofi comparou os vereadores a um caminhãozinho que foi feito, mas não se sabe para que serve. Se ele achou que estávamos brincando ele se enganou porque com dinheiro público não se brinca.
O relatório da Comissão vai ser encaminhado hoje ao Ministério Público. Segundo Domingues, o promotor Joel Beffa já tem conhecimento porque acompanhou o trabalho dos vereadores. No início da noite de ontem, o presidente da Câmara pretendia marcar para hoje, às 9 horas, a posse do vice Roberto Coelho (PL) como prefeito.
Adir Ciofi não foi localizado pela Folha. A cunhada dele, Aldevina Lázara de Arruda, informou que o prefeito vai recorrer da decisão. A casa aqui está um alvoroço, cheia de gente que tenta falar com ele. Mas não sabemos onde ele está, afirmou, apesar de admitir que ele ficou passado com a decisão da Câmara. De repente ele ri, de repente chora, mas nesse momento não dá para saber onde está.


