Câmara cassa mandato de Sérgio Naya
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Agência Estado 
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Palavra finalNaya faz o último discurso na condição de deputado, para se defender das acusações e pedir apoio aos colegas: esforço inútilA Câmara dos Deputados aprovou ontem à noite a cassação do mandato do deputado Sérgio Naya (sem partido-MG), dono da construtora Servan, responsável pela construção do Edifício Palace II que desabou e matou oito pessoas. Naya foi cassado por quebra do decoro parlamentar. Ele perdeu o mandato por uma diferença de 20 votos além dos 257 necessários para a cassação de um parlamentar. O resultado da votação secreta foi de 277 contra Naya, 163 a seu favor, 10 votos em branco e 21 abstenções.
Quando o 257º foi anunciado pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), os parlamentares que ficaram no plenário até o final da votação aplaudiram a decisão da maioria e foram acompanhados na comemoração pelos populares que encheram a galeria do plenário. Que susto, disse, aliviado, o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM).
Como ele, boa parte dos parlamentares duvidaram da cassação de Sérgio Naya no início da contagem dos votos, que por muito tempo manteve uma diferença mínima entre votos contrários e favoráveis. No momento do pânico, o líder do PT, Marcelo Déda (PT-SE), não escondeu seu temor: Se esse plenário não cassar o Naya, vai ficar pior do que corporativismo, vai parecer que houve negociata, declarou.
A sessão de julgamento de Naya começou pela manhã e o deputado permaneceu no plenário o tempo todo, conversando com os colegas e não desgrudou do telefone para pedir mais votos enquanto a sessão foi interrompida para almoço. Mas Naya preferiu deixar o plenário no final da tarde, quando a votação terminou, para receber o resultado em casa. O deputado Michel Temer anunciou a resolução da Mesa, que determina a perda de mandato, às 19h40. Os parentes e amigos de Naya que acompanhavam a votação da galeria deixaram a Câmara rapidamente.
O presidente da Câmara arrastou a votação por uma hora e meia e só a encerrou às 18h45, depois que todos os 471 parlamentares presentes na Casa foram ao plenário votar. O quórum na Câmara estava baixo pela manhã e o receio de Michel Temer e alguns líderes era de que muitos parlamentares aproveitariam a falta de sessão na terça-feira, por causa da morte do senador Humberto Lucena (PMDB-PB), para voltar a seus Estados e fugir do constrangimento de julgar um colega.
Esta é uma votação delicadíssima, ressaltou o deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), no meio da tarde. A cassação de Naya não está garantida, alertava o corregedor da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), criticando o presidente da Câmara por ter adiado o julgamento do deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO) de terça-feira para 5 de maio. Como Naya, Pedrinho foi condenado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sob a acusação de extorquir empreiteiros para liberar verbas do Orçamento da União.


