A Câmara de Vereadores de Mariluz (35 km a sudoeste de Umuarama) cassou ontem por 6 votos a 3 o mandato do prefeito, o padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB). O prefeito é acusado de comprar pneus sem licitação e de pagar contratos de trabalho sem recolher o Imposto de Renda. Padre Adelino estava licenciado do cargo desde março, quando foi preso, acusado de tramar as mortes do vice-prefeito Aires Domingues (PPS) e do presidente local do PPS, Carlos Alberto de Carvalho, o Carlinhos Gordo. Com a cassação de Adelino, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deve convocar novas eleições no município. a defesa do prefeito já anunciou que irá recorrer da decisão.
Cerca de 150 pessoas acompanharam a sessão extraordinária que começou às 9 horas e só terminou por volta das 15 horas. Um grupo de sem-terra acampado na Fazenda São Luiz chegou à Câmara de madrugada para protestar contra a cassação de Adelino. Para isolar a área e restringir o acesso ao prédio da Câmara, a PM usou seis viaturas e 20 soldados. Não houve incidentes.
As irregularidades administrativas que teriam sido cometidas por Adelino durante os dois meses (janeiro e fevereiro) que administrou o município foram apuradas por uma auditoria contratada pelo prefeito em exercício Benedito Oscar (PPB). Segundo a Comissão Processante da Câmara, Adelino teria comprado R$ 9.990 em pneus sem fazer licitação.
Adelino também teria deixado de recolher cerca de R$ 2 mil em Imposto de Renda referente ao pagamento de dois médicos e um advogado. Estas e outras irregularidades estão sendo investigadas também pelo MP de Cruzeiro do Oeste.
Para cassar Adelino, a Câmara precisava de 6 votos. Alguns vereadores favoráveis à cassação teriam recebido ameaças, mas não quiseram comentar o assunto. Quando o resultado foi anunciado, os favoráveis à cassação e que assistiam à sessão começaram a aplaudir, enquanto o grupo de sem-terra vaiava.
Advogados de Adelino em Curitiba tentaram impedir a sessão, ingressando com dois recursos no TJ, mas ambos foram indeferidos. Os três advogados que defendiam o prefeito no processo renunciaram e nenhum compareceu à sessão.
A defesa foi feita pelo advogado Ailton Negrelo, de Umuarama, nomeado pela Câmara. Negrelo sustentou que a culpa pelas irregularidades seriam de funcionários e assessores e informou que vai recorrer da cassação.‘‘Continuo no processo, até que Adelino nomeie outro advogado’’, disse.
Adelino recusou a defesa de Negrello e nomeou o advogado Germano Bess para representá-lo. Segundo o advogado Cláudio Dalledone Júnior, de Curitiba, que defende o padre no processo que apura os homicídios, a Comissão Processante da Câmara ignorou a decisão de Adelino. ‘‘O padre quer alguém de sua confiança. Negrello tem ligações com as pessoas que acusam injustamente o padre’’, afirmou Dalledone. Bess vai ingressar com um mandado de segurança para tentar anular a sessão.
Adelino também responde a um processo por abuso sexual contra menores. O inquérito, feito pela Polícia de Mariluz, apurou denúncias feitas por dois garotos, que declararam terem sido abordados pelo padre. (Colaborou Dimitri do Valle, de Curitiba)

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