Mais uma área que pretende ser cedida pela gestão Marcelo Belinati (PP) para uma associação ligada à Igreja Católica provoca resistência de um grupo de moradores do distrito de Maravilha, na zona rural de Londrina. Na quinta-feira passada (27 de junho), o projeto de lei do Executivo foi aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Londrina em primeiro turno, mas o grupo pede a retirada do assunto de pauta e diz que foi pego de surpresa com a iniciativa do Município. A área tem 12 alqueires ou 280 mil metros quadrados e está avaliada em R$ 2 milhões.

A intenção do PL 49/2019 é desafetar a área municipal na Fazenda Taquara e autorizar a permissão de uso à Associação Promocional Londrina Viva – PROLOV, por prazo indeterminado, para construção de uma clínica para a entidade que trabalha na recuperação de dependentes químicos. A permissionária deverá comprovar as atividades anualmente à Secretaria de Assistência Social, segundo prevê a matéria. A justificativa ressalta ainda que a entidade poderia promover atividades para os pacientes, como plantio de frutas e verduras para estimular a reintegração de jovens e adultos. Na semana passada, o padre Marcelo Gomes dos Santos, que preside a entidade, foi pessoalmente ao plenário defender o projeto.

Segundo o funcionário público aposentado Ailton Moraes - que mora no distrito de Maravilha há 40 anos -, a revolta é porque a comunidade não foi ouvida antes da definição desse projeto. As promessas em relação àquela área se arrastam desde 1997, quando o terreno foi doado para a Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná), para a construção de uma vila rural ainda no governo Jaime Lerner. Já nas gestões posteriores (Roberto Requião e Beto Richa) o projeto foi abandonado, e o terreno, devolvido ao município em 2012. "Não temos nada contra os dependentes químicos e entendemos que precisam ser recuperados, mas estamos preocupados com essa destinação que precisava atender à população de Maravilha. Além disso, aguardamos projetos de moradias e era essa a promessa para a área que poderia atender muitas famílias."

TRAMITAÇÃO

O projeto de lei tramita desde maio deste ano e já passou por três comissões: Justiça, Direitos Humanos e Políticas Públicas. Segundo o vereador Vilson Bittencourt (PSB), apesar do debate ter sido feito na Casa, as lideranças só o procuraram agora, após a discussão em plenário. "Precisamos que o Executivo esclareça essa situação e suspenda esse projeto de pauta. Não queremos ser injustos nem com os moradores nem com a entidade Prolov " ponderou.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina não se posicionou sobre a reivindicação dos moradores do distrito de Maravilha.

mockup