Brasília - A entrevista ontem do empresário Sebastião Augusto Buani tornou praticamente insustentável a permanência de Severino Cavalcanti (PP-PE) na presidência da Câmara, o que já desencadeou uma intensa articulação sobre quem ocupará seu lugar. A oposição, que vinha pedindo sua saída, subiu o tom dizendo que ele deve perder inclusive o mandato. Aliado a isso, governistas pela primeira vez abandonaram as declarações brandas sobre a situação do presidente da Câmara.
''Mudou consideravelmente o quadro. Em nenhum momento isso deve ser tratado como questão de governo. É óbvio que piorou muito a situação de Severino. É oportuno que ele retorne imediatamente ao país para dar explicações à Câmara e à sociedade'', afirmou ontem o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), disse que situação de Severino ''é dificílima'' e reivindicou a presidência da Câmara devido ao fato de o partido ter a maior bancada na Casa - 90 deputados. ''Precisamos passar por um rápido, mas profundo processo de diálogo com todos os partidos da Casa. Agora, como maior bancada, o PT vai recolocar o debate daquilo que constitucionalmente é o previsto, ou seja, que a maior bancada indique um presidente para a Casa'', disse o deputado.
Durante o dia ele havia sido bem mais cauteloso, chegando inclusive a dizer que não se deveria passar ''a carreta na frente dos bois''. O deputado, porém, ressalvou que não exclui a possibilidade de o PT aceitar um nome de outro partido, já que busca-se um candidato de consenso.
A tradição, e não a Constituição, reza que a maior bancada comande a Câmara. Tanto é que Severino, em eleição inédita, derrotou em fevereiro o candidato do partido e do governo para a Presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Caso Severino deixe definitivamente o posto, serão realizadas novas eleições em um prazo de até cinco sessões.
O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), afirmou que os fatos são um ''baque no Poder Legislativo''. ''Depois dessa entrevista, não tem mais o que dizer'', afirmou o deputado, que preside o órgão responsável em processar deputados por quebra do decoro parlamentar.
''Foi um depoimento convincente, fragiliza ainda mais a situação do Severino, que cada dia fica mais insustentável'', afirmou Renato Casagrande (ES), líder da bancada do PSB.

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