Câmara arquiva três representações contra vereadores
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Danilo Marconi<BR>Equipe Bonde 
Sob o argumento de não ter havido intenção de acobertar fatos ou pessoas, a vice-presidente da Câmara de Londrina, Maria Angela Santini (PT), anunciou ontem à tarde o arquivamento de três representações contra parlamentares, protocoladas na Casa no decorrer do ano. Os documentos pediam punição aos citados em casos que supostamente envolveram cobrança de propina para aprovação de projetos de lei.
O ''caso Caldarelli'' trata sobre denúncias de cobrança superior a R$ 45 mil de um empresário para doação de terreno às margens do Lago Igapó (projeto Lei 270/2005). A representação (nº 8) foi protocolada em abril pelo então corregedor Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) contra seus colegas e então vereadores Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (sem partido). O ''caso Mensalinho'' surgiu mediante denúncia do ex-vereador Orlando Bonilha (sem partido). Ele admitiu ao Ministério Público que a empresa Transportes Coletivos Grande Londrina pagava certa quantia mensal aos vereadores Luiz Carlos Tamarozzi, Gláudio Renato de Lima (PT), Marcelo Belinati (PP), Sandra Graça (PP), Sidney de Souza (PTB), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin, Renato Araújo e Jamil Janene (PMDB).
A representação número 9, de autoria de Vagner R. de Oliveira, foi apresentada à Câmara em junho. O ''caso Shirogohan'' também se baseava em denúncias de Bonilha e cita um churrasco em casa de empresário para comemoração de alteração no Plano Diretor, que restabeleceu localização de motéis em cidades. O ofício foi protocolado em julho na Câmara. O autor, Juarez Rezende Araújo, pedia punição de Gláudio de Lima, Sidney de Souza, Pastor Renato Lemes (PRB), Luiz Carlos Tamarozzi, Renato Araújo, Flávio Vedoato e Osvaldo Bergamin.
''As representações não preenchiam todos os requisitos técnicos e jurídicos, por isso foram arquivadas. Faltavam provas concretas que validassem suas denúncias'', afirmou Maria Angela Santini. Ela ainda procurou assegurar a ''responsabilidade'' e ''cautela'' da Casa na apreciação dos fatos. ''Não houve morosidade nesses processos'', enfatizou a petista num dos seus últimos atos como parlamentar.
O processo contra Orlando Bonilha, por exemplo, foi concluído em pouco mais de três meses na Câmara. A representação número 02/2008 pedia tal punição ao parlamentar e foi protocolada em 14 de fevereiro e com desfecho final em 31 de maio. Bonilha foi o único parlamentar cassado na 14 Legislatura.
''Esses arquivamentos não significam absolvição. Com o julgamento na Justiça, qualquer cidadão pode pedir novamente punição desses parlamentares'', disse Maria Angela.
Os dois processos judiciais dos casos Caldarelli e Shirogohan sequer foram apreciados no Fórum de Londrina. Somente um dos réus foi reeleito para a 15 Legislatura, o Pastor Renato.


