Câmara aprova repúdio contra PM e pede retirada de projeto
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terça-feira, 28 de abril de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A pedido de manifestantes que lotaram as galerias da Câmara de Londrina, os vereadores aprovaram ontem uma moção de repúdio à presença ostensiva da Polícia Militar (PM) na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, impedindo que manifestantes acompanhassem a votação do projeto de lei que altera a ParanaPrevidência, e outra solicitando a retirada deste texto de pauta para que seja mais discutido com os servidores estaduais. Uma comissão de parlamentares deve entregar os documentos ao presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), ainda hoje.
Os ofícios dirigidos a Traiano e ao governador Beto Richa (PSDB) foram apresentados após a manifestação de servidores estaduais, em greve contra as alterações no regime previdenciário. Eles pediram o apoio dos vereadores para que interviessem junto aos deputados estaduais de seus partidos para que rejeitem a proposta do governador.
Além da comissão formada por Elza Correia (PMDB), Lenir de Assis (PT) e Rony Alves (PTB), que vão a Curitiba hoje acompanhar a segunda votação do projeto de lei de Beto, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) tentará interceder pelos manifestantes no Palácio Iguaçu. A viagem até a capital foi marcada também após pedidos dos manifestante recebidos em seu gabinete.
Kennedy Piau, do comando de greve da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e Nelson Antonio da Silva, secretário de organização da APP-Sindicato (dos professores da rede estadual) pediram apoio dos parlamentares porque consideram o projeto de lei pouco discutido e porque reduz o tempo de solvência do fundo previdenciário de 59 para 29 anos. "O governo rompeu o compromisso pelo qual saímos da greve (em fevereiro), que era não mexer na ParanaPrevidência", lamentou Piau. Já Silva reclama que o governador só pensa "em aliviar o caixa em R$ 140 milhões mensais".
Diante do plenário cheio, todos os parlamentares aproveitaram para discursar. Alguns tentaram justificar o voto de seus partidários, como Júnior Santos Rosa (PSC). Dono da maior bancada na AL, a legenda, segundo o vereador, enfrenta uma briga interna sobre o tema, mas ressaltou que os deputados estaduais com que tem mais contato, Gilson de Souza e Paranhos, votaram contra.
Já Elza Correia chegou a pregar a expulsão de deputados do PMDB que votaram favoravelmente ao projeto rejeitado pelos servidores. Dentre eles está o líder do governo na AL, Luiz Cláudio Romanelli, da ala peemedebista que apoiou a reeleição de Beto mesmo contra o candidato do partido, Roberto Requião, em 2014.
Tio Douglas (PTB) disse que enviou e-mail pedindo ao deputado Tião Medeiros que mude seu voto e Gerson Araújo (PSDB) afirmou estar do lado dos manifestantes, mesmo que o protesto seja contra alguém de seu partido.
Pressionado pelos manifestantes, Gustavo Richa (PHS), que chegou a se ausentar do plenário, foi o último a discursar. Recebido sob alguns aplausos e vaias, disse aceitar o desagravo e admitiu ser primo do governador. "Não tenho como negar isso (parentesco), assim como não tem como negar que estou do lado de vocês. Mas o que eu posso fazer é me deixar à disposição para o que for possível", disse.
Após a reunião com os manifestantes, Kireeff também se dispôs a acompanhar as lideranças na expectativa de colaborar pela retomada do diálogo quanto pelo fim dos atos de violência da PM contra os manifestantes. Ele tentava, na tarde de ontem, marcar agenda com o governo estadual, mas até o fechamento da edição não havia confirmação.


