Cambé A Câmara de Vereadores de Cambé (13 km a oeste de Londrina) aprovou ontem em segunda discussão, por sete votos a quatro, o projeto de autoria do Executivo que destina R$ 300 mil à Associação dos Funcionários Municipais de Cambé (AFMC), para prestação de serviços em saúde. O projeto volta a ser apreciado hoje pelo plenário, mas como também foi aprovado em primeira discussão, a terceira votação somente será realizada para cumprir o Regimento Interno.
No dia 11, o Movimento Comunidade Alerta de Cambé protocolou no Ministério Público (MP) um pedido de providências para impedir o repasse à AFMC. O movimento alegou que a entidade não teria idoneidade para receber os recursos devido a ação penal ajuizada no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), que denuncia irregularidades na utilização de R$ 743 mil repassados pelo município entre os anos de 2001 e 2002. A promotora Adriana Lino não suspendeu a tramitação do projeto mas instaurou um procedimento administrativo para verificar a legalidade.
''Sou extremamente contra (o projeto). Em abril de 2002, foi aprovado pela Câmara um repasse à associação a título de subvenção para investimentos em saúde de R$ 660 mil. Quando fomos ver, já havia sido transferido para a AFMC em torno de R$ 400 mil antes da aprovação legislativa e, na ocasião descobrimos que o serviço não foi prestado'', justificou o vereador Osires Cavaletti (PMDB).
''Depois acabou surgindo o serviço, até em função de reportagens e o próprio presidente da associação acabou declarando que tinha usado o dinheiro para sanear a associação e depois pedido prazo para o prefeito para fazer as ações em saúde'', complementou Cavaletti. ''A minha consciência não me deixa votar mais R$ 300 mil antes da apuração ou a clareza destes fatos. É certo que a comunidade precisa do atendimento mas a associação não é a única forma de prestar poderia ser contratado outro.''
Segundo o prefeito José do Carmo Garcia (PTB), a prestação dos serviços em saúde pela AFMC é economicamente vantajoso para o município. ''O importante é sinalizar que 5,5 mil pessoas serão atendidas a cada mês. O serviço prestado traz vantagens para o município porque atende os interesses da administração que tem por obrigação prestar serviços de saúde para comunidade'', disse. Conforme o prefeito, os recursos serão suficientes para atender a demanda durante todo o ano de 2004. A reportagem tentou entrar em contato com o presidente da AFMC, Carlos Alberto Serpeloni, mas ele não foi localizado.

mockup