Câmara aprova relatório sobre desvio de seguro
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sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Os vereadores aprovaram na sessão de ontem o relatório final da Comissão Especial de Investigação (CEI) que apurava denúncia de apropriação indébita por parte do Grêmio dos Operários da Prefeitura de Londrina (Gespel). O documento será encaminhado agora ao Ministério Público para que sejam tomadas as diligências e ofertada ou não a denúncia contra os citados.
Votado em discussão única depois de retirado de pauta por quase três semanas, o relatório não sofreu propostas de mudança por parte dos parlamentares. Pelo documento, estaria comprovado o desvio de verba específica para o pagamento de seguro de vida de servidores municipais, mas não a apropriação indevida dos recursos.
Nos depoimentos tomados pela Comissão, dois, em particular, referendam os apontamentos do documento aceito ontem no Plenário: o do atual presidente do Grêmio, Luiz Bispo da Silva, e do ex, Glenisson Rodrigues. Ambos admitiram ter usado verba de seguro para quitar obras em piscinas na sede campestre da entidade (admitido por Rodrigues), bem como para pagar dívidas trabalhistas e multas por construções irregulares (conforme afirmações de Silva).
As denúncias de irregularidades no Grêmio foram formalizadas pela Associação Municipal dos Aposentados na Câmara em abril deste ano, apesar de terem chegado à Prefeitura já em setembro de 2004. Na ocasião, o Executivo abriu um processo interno que constatou atraso no repasse das mensalidades à Bradesco Vida e Previdência, com a qual a entidade mantinha uma apólice de seguro coletivae outra, de seguro individual. Um parecer da Procuradoria do Município chegou inclusive a constatar o desencontro de informações, de modo que a Prefeitura suspendeu por dois meses o repasse ao Grêmio que é estipulante desde 1998.
A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) também investiga a denúncia. Recentemente, o órgão encaminhou ao Legislativo cópias de uma auditoria feita pelo MP nas contas do Grêmio. O levantamento acusou um desvio de R$ 400 mil, mesmo valor que a CEI afirma ser necessário investigar, mas por outras razões. À época da conclusão do relatório, o vereador Gláudio Renato de Lima (PT), relator do grupo, destacava que a PIC considerava o montante repassado à Real Seguros (com a qual o Gespel firmou apólice em dezembro de 2004), apesar de a CEI ter a comprovação de que o valor realmente foi pago, ''mas não se sabe a quem''.
Ontem, o presidente da Comissão, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), informou que vai pedir à Prefeitura que ela retome para si o papel de estipulante no seguro dos servidores. Outro apontamento, disse o petebista, pode ficar por conta de um depoimento não-oficial de um advogado citado no relatório, mas que ainda não foi ouvido na CEI. Questionado como isso foi possível afinal, o advogado, cujo nome, por medida judicial, não pode ser citado , Tamarozzi resumiu: ''Ele foi apontado por outras pessoas que depuseram'', justificou.


