Foi em meio a uma sessão tensa e tumultuada que 14 vereadores de Londrina aprovaram, na tarde de ontem, o projeto principal do Plano Diretor (projeto de lei número 115/2008). Pelo menos dois vereadores se ausentaram da votação e outros dois, Sandra Graça (PP) e Marcelo Belinati (PP) foram contrários à aprovação do projeto. A medida contraria audiência pública realizada no último dia 3 que sugeria que o projeto fosse votado só em 2009 junto com os outros oito projetos complementares que integram o projeto geral. Representantes da sociedade civil também estiveram na Câmara acompanhando a votação, além de entidades que apostavam na possibilidade de que os vereadores deixassem a discussão apenas para a próxima Legislatura.
O Plano Diretor é formado por oito projetos complementares e leis como Código de Obras, Código Ambiental, a Lei do Sistema Viário, Lei do Uso e Ocupação do Solo e a Lei do Parcelamento do Solo.
O presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Nelson Brandão, que era favorável que o projeto fosse mais discutido antes de ser aprovado, deixou a sessão contrariado. ''As leis específicas ainda estão sendo elaboradas, essa aprovação passa por cima de muita coisa. Faltou a presença de técnicos para analisar o plano de diretrizes, além de outras questões. Constam, por exemplo, dados equivocados, como o Comitê de Planejamento Urbano formado por 60% de pessoas de órgãos governamentais e somente 40% da sociedade, o que de acordo com o Estatuto das Cidades, deve ser o contrário'', enfatizou.
Para o presidente do Ippul, João Baptista Bortolotti, não há nenhuma falha do projeto. Da mesma foram pensa o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), que foi bastante contundente em sua postura favorável à votação do projeto. ''A sociedade estava estudando o Plano Diretor desde 2004, houve inúmeras reuniões, inclusive passaram por duas conferências. A Câmara fez o que precisava ser feito para não sermos punidos por improbidade administrativa. As leis complementares poderão ser discutidas com mais calma no ano que vem'', disse.
Na opinião da vereadora Sandra Graça, que votou contra a aprovação do projeto, o processo de elaboração começou errado. ''O projeto foi protocolado fora do prazo e não houve uma efetiva participação da sociedade. Eu penso que é um projeto importantíssimo e que deveria ser bem melhor discutido'', disse. Estiveram ausentes da votação os vereadores Fernando Nicolau (PP) e Pastor Renato Lemos (PRB).
Hoje não haverá sessão na Câmara, que retorna com sessão extraordinária na segunda-feira a partir das 14 horas.

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