Por 337 votos a favor do governo e 119 contra, a Câmara dos Deputados manteve ontem o texto da emenda que possibilita que União, Estados e municípios fixem um limite máximo para o valor das aposentadorias e pensões dos servidores públicos, desde que instituam regime de Previdência complementar. Este limite máximo seria equivalente ao que já é estabelecido para os benefícios do regime geral da Previdência. Pelo resultado oficial da Câmara, houve 476 presentes à primeira votação de destaque da reforma da Previdência.
O governo teve de reabrir ontem o balcão de negócios para tentar avançar na votação da reforma da Previdência, emperrada na Câmara por causa de três destaques da oposição que exigiam dos governistas pelo menos 308 votos para que o texto da reforma não passasse por novas modificações. As negociações começaram cedo, com a pressão da bancada ruralista que conseguiu fechar um acordo com o governo envolvendo R$ 1,67 bilhão, mas já passava das 19 horas quando os aliados governistas iniciavam a discussão em torno do primeiro destaque, sem certeza de vitória.
‘‘Há 484 parlamentares na Casa e vamos votar’’, assegurava o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Os dois testes feitos com o plenário, com votações de requerimentos que entraram na pauta, para o governo ter uma prévia da disposição de sua base parlamentar, não entusiasmou os articuladores da reforma. Em nenhum deles o governo conseguiu atingir o quórum mínimo de 470 deputados para colocar os destaques da Previdência em votação. A mobilização serviu, pelo menos, para que o novo painel do plenário da Câmara fosse testado.
Os deputados gastaram parte do tempo familiarizando-se com o novo sistema de R$ 3 milhões, que exige a impressão digital do parlamentar para aceitar o registro do voto. ‘‘Não houve tempo para trabalhar mais detalhadamente as bancadas, como em outras épocas’’, explicava o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). ‘‘Se não tiver quórum não é o fim do mundo’’, antecipava o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). ‘‘Temos o problema dos 45% dos deputados que não se reelegeram e estão desestimulados’’, justificou o líder, que atribuía parte das dificuldades dos líderes aliados ao desinteresse de alguns parlamentares que não aceitavam o peso da derrota eleitoral.
O governo teve de começar o dia fazendo concessões e administrando as insatisfações de deputados de sua base parlamentar, para garantir votos a favor da reforma. Com a bancada ruralista, fechou a maior negociação do dia para aprovar a reforma, envolvendo R$ 1,67 bilhão. Logo de manhã, uma rebelião na bancada - que reúne 178 deputados na Casa - e a notícia de que pelo menos 32 ruralistas estavam decididos a votar contra a reforma mobilizou o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), e o assessor especial do ministro da Fazenda para assuntos de Agricultura, Gerardo Fontelles.

mockup