Brasília - A Câmara aprovou na noite de ontem a Medida Provisória (MP) do setor elétrico, que entre outros pontos institui o seguro-apagão e o reajuste extra para compensar as perdas das distribuidoras. A MP foi aprovada por 275 votos favoráveis, 144 contrários e oito abstenções. A MP aumenta em 2,9% as tarifas de energia dos consumidores residenciais.
Para ganhar o apoio maciço do PFL os aliados do Planalto comprometeram-se a atender algumas reivindicações, como a liberação de mais verbas para os oito estados governados pelo partido.
A pedido do PFL, o governo estuda a possibilidade de FHC não vetar a parte da MP que aumentou em quase R$ 1 bilhão a renegociação das dívidas dos agricultores. Esta MP foi aprovada na semana passada pela Câmara e, inicialmente, estabelecia um alongamento das dívidas de cerca de R$ 3 bilhões.
O PFL decidiu apoiar o governo por uma questão de sobrevivência. Rachado internamente, o partido precisava dar uma demonstração de força e união. E foi com esses argumentos que a cúpula do partido fez uma longa negociação com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, que ameaçava pôr toda a bancada pefelista baiana para votar contra a proposta.
O secretário-geral da Presidência da República, Euclides Scalco, deu a sinalização tão esperada. A pedido do presidente do PFL, Jorge Bornhausen, Scalco telefonou para ACM e, segundo interlocutores do PFL, prometeu analisar o repasse de recursos para os estados governados pelo partido.
O empenho de Bornhausen tinha um motivo: a decisão da executiva do partido, ontem de manhã, que recomendou o voto favorável à proposta. E para a cúpula do PFL era essencial ter o mínimo de dissidências para mostrar ao governo que o partido está unido.
Os partidos de oposição votaram contra a MP. ‘‘Fizeram um acordo para aprovar a medida e quem vai pagar é o povo com o aumento da conta de luz’’, observou o líder do PT, deputado João Paulo Cunha (SP).

mockup