Câmara aprova CPI das funerárias
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001
Sid Sauer De Campo Mourão 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o serviço funerário em Campo Mourão tem 90 dias para apresentar o seu relatório final. A criação da CPI foi aprovada pela Câmara de Vereadores na sessão realizada na quarta-feira à noite. O alvo principal da CPI, formada por sete membro, são as duas funerárias da cidade, mas as investigações deverão incluir o Instituto
Médico-Legal (IML).
O pedido de CPI foi apresentado por três vereadores Celso Hruschka (PMDB), Isidorio Moraes (PSL) e Luiz Carlos Kehl (PFL). Eles acusam as funerárias de abuso na margem de lucro, de cobrar por fora serviços que deveriam estar incluídos no preço dos caixões e de formarem um monopólio na cidade. As duas funerárias têm o mesmo endereço, o mesmo telefone e até os mesmos funcionários responsáveis, ressaltou Moraes.
Para justificar a abertura da comissão, os vereadores chegaram a fazer uma tomada de preços com um fabricante de urnas funerárias de Ponta Grossa. Descobriram que um caixão vendido em Campo Mourão por R$ 517,88 custa na fábrica R$ 54. Outro, vendido por R$ 1.410,54 sai na fábrica por R$ 99. Moraes também apresentou cópia de um recibo de R$ 299,50 que a funerária teria dado para completar uma nota fiscal de R$ 517,88.
Os trabalhos da CPI ainda nem começaram, mas o assunto já tem gerado polêmica. Na semana passada, o dono da funerária Sesf, Ademir Sobral de Jesus, teve uma discussão acirrada com Moraes durante entrevista à Rádio Humaitá. O senhor não vai fazer moral nas minhas costas, disse o empresário. O senhor se cuida comigo, completou. A verdade dói, respondeu Moraes. A Câmara deve enviar uma moção de repúdio a Sobral.
Durante a discussão entre o agente funerário e o vereador, Sobral chegou a dizer que na época em que Moraes era enfermeiro, muitas pessoas foram mortas por acaso em hospitais da cidade. As funerárias ofereciam propinas para enfermeiros, policiais rodoviários e para o IML, acusou Sobral. As funerárias Sesf e São Pedro funcionam no mesmo endereço com a autorização do Conselho Municipal do Serviço Funerário para redução de custos.


